PORTUGAL: Assassino de vigilante cabo-verdiano fica em prisão preventiva

. Publicado em 11ª Ilha

Yó Fortes foi morto por não ter deixado entrar o agressor numa discoteca onde decorria uma festa africana. O crime ocorreu na madrugada da última sexta-feira, deixando uma marca de sangue no dia em que se comemorou a liberdade e a revolução dos cravos


 

O indivíduo que assassinou na madrugada da última sexta-feira, 25 de abril, um vigilante cabo-verdiano ficou em prisão preventiva por decisão do Tribunal do Seixal. A vítima, Yó Fortes (na foto), 39 anos (conforme tivemos ocasião de referir na nossa edição de sábado), trabalhava como vigilante num espaço de diversão noturno em Amora, Seixal, e foi esfaqueado por um homem de 32 anos por volta das 5h30 dessa madrugada.

No local, os paramédicos fizeram tudo para lhe salvar a vida, mas os ferimentos eram muito graves e Yó não lhes resistiu. Agentes da Polícia de Segurança Pública empreenderam uma caça ao homem e, finalmente, conseguiram deter o agressor que foi levado à presença de um juiz no último sábado.

Ao contrário do que a imprensa portuguesa havia noticiado, a agressão a Yó Fortes não se deveu a “negócios da noite”, antes à circunstância de o malogrado vigilante não ter deixado o agressor entrar na discoteca onde decorria uma festa africana. Segundo foi possível apurar, não era a primeira vez que o agressor tinha causado problemas a Yó, já que noutras ocasiões teria tentado forçar a entrada naquele espaço de diversão.

Ao que JSN conseguiu apurar, Yó Fortes mantinha uma relação conjugal há mais de 20 anos com uma cidadã portuguesa, com a qual tinha, pelo menos, uma filha adolescente. O casal, com residência no Monte da Caparica, faria no próximo dia 1 de maio 21 anos que estava junto, e a senhora, como é natural, está devastada pela dor.

O funeral, segundo uma fonte, deverá ocorrer esta terça ou quarta-feira.

Vigilantes querem estar protegidos

A Associação Vigilantes de Portugal (AVP), segundo o seu presidente, Fábio Miranda (na foto), por várias vezes alertou as autoridades portuguesas para a necessidade de se adotarem medidas de proteção dos profissionais de vigilância e, neste momento, está a recolher assinaturas para apresentar uma petição na Assembleia da República “no sentido de se levar a plenário a discussão acerca da defesa dos vigilantes em Portugal”, já que este profissionais exercem o seu trabalho “sem qualquer meio de defesa pessoal”.

A associação quer “a revisão da Lei e que seja obrigatório o uso de coletes balísticos e de coletes anti-corte”, única forma de evitar situações como aquela ocorrida com Yó Fortes. Ainda segundo Fábio Miranda, o Ministério da Administração Interna foi por várias vezes alertado para este tipo de situações, no entanto numa tomou qualquer medida.

 

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