PORTUGAL: Segurança Social garante realojamento a cabo-verdianos ameaçados de despejo em Setúbal

. Publicado em 11ª Ilha

O ambiente esteve animado aquando da visita do deputado Emanuel Barbosa e do padre Constantino Alves, o pároco local que desde a primeira hora se colocou em defesa dos moradores de uma antiga fábrica desta cidade. A decisão da Segurança Social foi anunciada nas últimas horas


 

Conforme tivemos ocasião de referir na nossa edição de ontem o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) pretende desalojar várias famílias que ocupam um prédio devoluto na cidade portuguesa de Setúbal, na sua maioria cidadãos cabo-verdianos. O imóvel é uma antiga fábrica (Mecânica Setubalense). São 44 agregados familiares que totalizam cerca de 168 pessoas.

O deputado eleito pela Europa, Emanuel Barbosa (MpD) teve ocasião de conversar na manhã deste sábado com vários moradores que o convidaram, sendo acompanhado na visita pelo pároco local, Constantino Alves, um sacerdote católico que desde a primeira hora se colocou em defesa dos residentes na antiga fábrica.

Segurança Social assegura realojamento

O padre fez ao parlamentar cabo-verdiano o retrato da situação vivida pela mais de centena e meia de moradores, entre os quais muitas crianças, e manifestou-se animado em função dos desenvolvimentos registados nas últimas horas.

Efetivamente, a Segurança Social portuguesa entrou esta sexta-feira em contacto com Constantino Alves, assegurando-lhe que vai realojar, de imediato, algumas famílias em casas de arrendamento social.

No entanto, a Segurança Social alega ter poucas residências disponíveis, o que não chega para realojar todas as famílias da antiga fábrica, pelo que vai encaminhá-las para o mercado livre, mas assumindo o pagamento das rendas e firmando um contrato de que irão ser realojadas posteriormente em casas de renda social.

A situação mais bicuda tem a ver com os moradores “ilegais”, pois nos casos em que num agregado familiar não existe ninguém em situação regular, a Segurança Social não se mostra aberta a realojar as pessoas. Em geral, são casas habitadas apenas por homens solteiros, em regra por um a dois.

Moradores querem realojamento para todos

Outra situação complexa é a de pessoas que em tempos adquiriram casa própria, mas que, entretanto, com a crise e o desemprego, deixaram de conseguir cumprir com o pagamento das prestações junto das instituições bancárias, acabando uns por abandonar a casa e outros, informalmente, passando a casa ao filho mais velho. Existem, ao que foi possível apurar, duas ou três famílias nestas circunstâncias e, também, é-lhes negado o realojamento porque, para todos os efeitos, constam como proprietárias de uma casa.

Há um outro caso de descontentamento, o de um senhor que não concordou em ser realojado numa casa em Ourém, perto de Fátima, cuja esposa tem muitos problemas de saúde e pretende que esta continue a ser seguida no mesmo hospital, e ficar perto dos amigos e familiares, onde pode contar com o seu apoio.

Autoridades cabo-verdianas e associações em silêncio

As pessoas, em geral, ficaram bastante agradadas com a presença de Emanuel Barbosa, dizendo que de Cabo Verde ele terá sido o único a interessar-se pelos seus problemas. Paralelamente, existem muitas reclamações porque não tiveram apoio de ninguém a não ser do padre Constantino Alves, nomeadamente. reclamam da embaixada de Cabo Verde e das associações cabo-verdianas que dizem não defender os seus interesses.

Os moradores dizem que Cabo Verde tem um cônsul honorário em Setúbal, Nilton Cunha Bárrio Vieira, que nunca apareceu. E referem que, apesar de viverem a 200 metros da Associação Cabo-verdiana de Setúbal, dirigida por Felismina Mendes, esta nunca se interessou e não se dignou a dar a cara pela comunidade que representa, quando todas as estações de televisão portuguesas fizeram a cobertura deste grave problema.

 

Se as negociações com a Segurança Social correrem bem, os moradores prevêem organizar uma festa na próxima quinta-feira,26, para celebrarem, conviverem e também agradecerem ao padre Constantino Alves a sua generosa dedicação a esta causa.

 

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