DESALOJADOS EM PORTUGAL: Governo adota proposta de deputado da oposição

. Publicado em 11ª Ilha

Em 2012 Emanuel Barbosa propôs que o programa “Casa para Todos” se estendesse às comunidades da diáspora, uma proposta agora recuperada pelo ministério da tutela. Na nota oficial, a propósito dos despejos em Setúbal, confirma-se também a atitude passiva da embaixada e a sua ausência junto da comunidade


 

Um comunicado, emitido esta terça feira, 15, a propósito das famílias caboverdianas despejadas de uma antiga fábrica em Setúbal (na foto), dá conta que o governo pretende adotar uma proposta feita em 29 de novembro de 2012 pelo deputado Emanuel Barbosa.

“No âmbito do projeto ‘Casa para Todos’, o governo de Cabo Verde está analisando um mecanismo que possa contemplar caboverdianos residentes no estrangeiro em situações devidamente fundamentadas, em moldes a definir”, pode ler-se na nota oficial emitida pelo Ministério das Comunidades, relembrando que “a questão da Habitação” integra o dossiê que estabelece a “cooperação bilateral, entre Cabo Verde e Portugal, estando identificadas as zonas que merecem maior atenção”. Mas que, no entanto, não tem tido qualquer expressão prática na vida das nossas comunidades.

A proposta do deputado do MpD – recordamos – foi feita a propósito das ações de despejo no Bairro de Santa Filomena (na Amadora), que então estavam no seu período mais crítico. Aludindo a uma afirmação do primeiro-ministro, de que o programa “Casa para Todos” é tudo menos um slogan, Emanuel Barbosa aproveitou para fazer a sugestão ao governo: “Se, efetivamente, o fosse, tendo em conta o comunicado emitido pelo Ministério das Comunidades, no qual reitera tudo fazer no sentido de se encontrar as melhores soluções para as famílias desalojadas, bem que se poderia, no quadro deste programa, com as devidas adaptações, atender à situação de calamidade destas famílias”.

Comunicado confirma ausência da embaixada na comunidade

O referido comunicado, emitido especificamente sobre o despejo das famílias caboverdianas em Setúbal, confirma implicitamente o que vários emigrantes têm denunciado: a embaixada prima pela ausência junto da comunidade. Uma história repetida que o comunicado do Ministério das Comunidades atesta. A embaixadora e os responsáveis diplomáticos em Lisboa limitaram-se a pedir informações às autoridades portuguesas – a que poderiam ter acesso através da mera leitura da imprensa -, numa atitude passiva, revelando não terem poder negocial ou capacidade de influência. Mais grave ainda: a nossa missão diplomática, o ministério e a Direção Geral das Comunidades,  por uma vez que fosse, jamais contactou com os cabo-verdianos alvo de despejo.

“Logo que a Embaixada de Cabo Verde em Portugal tomou conhecimento, através dos meios de comunicação social, de um alegado despejo de famílias cabo-verdianas de uma antiga fábrica no Concelho de Setúbal, a mesma entrou em contacto com as autoridades portuguesas para se inteirar da situação e manifestar o interesse do governo caboverdiano para com a mesma”, pode ler-se no comunicado do Ministério das Comunidades, que se limita a transcrever, passo a passo, o desenrolar dos acontecimentos então publicados em jornais e difundidos por estações de rádio e canais de televisão.

Em, nenhum momento se alude a qualquer iniciativa específica da embaixada (ou do ministério) para atender à situação difícil dos moradores do antigo bairro que apenas contaram com o empenho e intervenção do pároco local, padre Constantino Alves (um verdadeiro herói que, desde a primeira hora, esteve ao lado dos cabo-verdianos), e a solidariedade do deputado Emanuel Barbosa, que visitou o bairro e esteve em contacto permanente com os moradores. Quanto à embaixada, mais uma vez, primou pela ausência.

 

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