ITÁLIA: “Amigos das Ilhas” solidários com São Nicolau

. Publicado em 11ª Ilha

 

Mas não só, a ação social desta associação de cabo-verdianos tem alargado a sua intervenção a outras ilhas, aos doentes evacuados, aos estudantes em Portugal e, naturalmente, no apoio a nacionais residentes em Itália, cobrindo várias áreas de intervenção, passando pela saúde, o ensino e a habitação, a promoção social e humana


Fundada em 25 de setembro de 2011, a Associação “Amigos das Ilhas”, constituída por cabo-verdianos residentes em Itália, principalmente da ilha de São Nicolau, tem vindo a realizar um meritório trabalho social, apoiando nacionais com dificuldades naquele país europeu e, fundamentalmente, implementando ações concretas de solidariedade no arquipélago, numa lógica de auxiliar os desfavorecidos, elevar-lhes a autoestima e promoção do desenvolvimento pessoal e social das comunidades.

A associação, presidida pelo saniculaense João Câncio (na foto, à direita), tem vindo a estender a sua ação solidária a São Nicolau (ver fotos), intervindo no apoio a instituições e aos mais carenciados, expressando uma solidariedade ativa que está na génese dos “Amigos das Ilhas”. Ainda recentemente, a associação contemplou a Delegacia de Saúde, com berços e camas para crianças, bem ainda com um gerador para dar resposta aos cortes de energia e, ainda, aparelhos de electrocardiograma e ecocardiografia. Mas a ação solidária estende-se também a particulares, com apoios pontuais aos mais fragilizados e a requalificação e construção de moradias, mas também o auxílio a doentes evacuados em Itália e Portugal.

Os “Amigos das Ilhas” têm, de igual modo, alargado a sua ação social apoiando escolas, estudantes em Portugal, terceira idade e enfermos acamados, bem como pessoas portadoras de deficiência.

Comunidade pujante

A comunidade cabo-verdiana tem vindo a afirmar-se por uma grande pujança, quer participando da vida social italiana, quer expressando a sua solidariedade ao povo das ilhas. Uma comunidade que, nas últimas décadas passou por grande mutação. Longe vai o tempo em que as primeiras emigrantes cabo-verdianas, particularmente saniculaenses chegaram a Itália. Foram senhoras as primeiras a rumar àquele país europeu, corria o início dos anos 60, fruto da ação e do empenhamento de um homem que marcou esta ilha como poucos: o Padre Gesualdo.

As pioneiras da leva migratória foram Adriana Pinto Almeida, Lalache, Elizabeth Santana e Lídia do Rosário, que rumaram a Itália para servir como empregadas domésticas em casa de famílias abastadas.

Pouco a pouco a comunidade foi crescendo, com as emigrantes asaírem da dependência económica dos primeiros patrões e seguirem suas vidas com os homens que, entretanto, começaram também chegando a Itália. Com os matrimónios e ligações afetivas chegaram os filhos que se foram integrando no sistema de ensino, desbravando caminhos e, hoje, a comunidade é formada por muitos licenciados, especialistas em várias áreas, profissionais da comunicação social, designadamente, e gente ligada ao ensino.

A crise que se vive na Europa, inevitavelmente, abateu-se sobre a comunidade cabo-verdiana, provocando o desemprego, a desestruturação das famílias e a miséria de alguns, havendo até casos residuais de sem-abrigo, praticamente circunscrito a pessoas com problemas mentais, mas sem a relevância que, recentemente, uma outra associação referiu e a comunicação social cabo-verdiana noticiou.

Aqui, também, a Associação “Amigos das Ilhas” tem vindo a cumprir um importante papel de solidariedade social. E os meios para mobilizar recursos expressam-se de várias formas: rifas, revenda de produtos da terra e ainda organizando passeios pagos a locais de interesse histórico e cultural, permitem dar resposta às necessidades dos mais carenciados.

A assembleia-geral recentemente organizada, com o propósito estatutário de renovação dos órgãos sociais, confiou à direção cessante mais um mandato. O momento foi aproveitado para o balanço do trabalho feito, cujo início remonta aos anos em que não passava de um grupo de amigos interessados em ajudar o próximo em dificuldades. E a decisão não poderia ser outra que não a de prosseguir, com determinação, a ajudar quem mais precisa.

Longe da terra, mas perto do coração das ilhas, os cabo-verdianos residentes em Itália têm cumprido um importante papel, expresso de forma tão evidente na solidariedade ativa que se estende ao arquipélago e a patrícios em outras paragens. Um exemplo do espírito indomável e da alma fraterna deste povo.

 

comments

Comentários (1)

Cancel or

  • Eu com Caboverdiano so tenho a felecitar esses grupes de pessoas que se juntou-se pra formar esta associação , pq não é facil + quando temos a fê tudo é possivél , muito obrigada meus amigos compatriotas Joao Fortes Marselha

Comentar


Código de segurança
Atualizar

Edição em papel

Brevemente disponível
para download em PDF
(Gratuito)