SANTA FILOMENA: Câmara da Amadora queria obrigar idosa a regressar a Cabo Verde

. Publicado em 11ª Ilha

Uma técnica da autarquia socialista pressionou uma cabo-verdiana de 62, analfabeta, com autorização de residência – e descontos efetuados em Portugal, a assinar um documento declarando querer regressar a Cabo Verde, o que esta recusou. Depois de vários dias de chantagem, a senhora foi despejada e a sua casa destruída. Segundo ativistas portugueses, a Câmara promove “terrorismo social”


 

A Câmara Municipal da Amadora (Portugal) retomou esta terça-feira, 18, as demolições no Bairro de Santa Filomena. Segundo o Coletivo Habita, uma organização portuguesa que tem vindo a apoiar os moradores do bairro, uma senhora cabo-verdiana, de 62 anos, foi despejada e viu a sua casa demolida.

A mulher vivia no bairro desde há 14 anos, e foi para Portugal na condição de evacuada para tratar de problemas crónicos de saúde. Uma situação igual a tantos outros que vão para aquele país à procura de cuidados médicos e são absolutamente abandonados à sua sorte pelo Estados de Cabo Verde e Portugal, vivendo em condições de grande precariedade.

A necessidade de sobrevivência passa, muitas vezes, por arranjar emprego, sempre mal pago e sem direitos, vivendo numa autêntica situação de “clandestinidade” laboral e social. Como morada, restam-lhes apenas os bairros periféricos e autoconstruídos ou as pensões miseráveis onde se amontam várias pessoas num único quarto.

Câmara promove terrorismo social

A atitude da autarquia socialista da Amadora tem sido a todos os níveis deplorável, envolvendo-se em “autênticas manobras de terrorismo social e de chantagem sobre pessoas indefesas”, como insistentemente têm referido ativistas sociais portugueses. E o caso desta senhora cabo-verdiana é paradigmático, como nos diz Rita Silva do Coletivo Habita: “No caso desta senhora percebemos que vivia no bairro há 14 anos. Tem os documentos em dia, trabalhou cá, descontou. Não sabe ler nem escrever. No entanto, foi pressionada a assinar um papel dizendo que queria abandonar o país, foi pressionada para sair da sua casa todos os dias, ameaçada de que ia perder tudo, de que era melhor ir para a ‘sua terra’ e que a técnica da câmara ia comprar um bilhete de avião para Cabo Verde”.

Rita Silva refere ainda que “como a senhora não aceitou o bilhete para Cabo Verde, então, finalmente, ontem chegaram pela manhã e destruíram a sua casa, deixando-a na rua”, adiantando que “não havia ninguém para a acompanhar, a não ser a arrogância policial e ainda tivemos que ser nós e alguns moradores do bairro a ajudar a senhora a carregar coisas, a arranjar um sítio para ela dormir ontem, a acalmá-la, a acompanhá-la”.

Embaixada está de braços cruzados

Ainda segundo a nossa fonte, a cidadã cabo-verdiana repetiu vezes sem conta: "podem tirar-me a casa e deixar-me na rua, mas quem compra um bilhete para Cabo Verde sou eu. Eu vou para Cabo Verde, mas quando eu quiser e não quando a Câmara quiser", disse, comovendo todos os presentes pela dignidade da sua atitude.

 

Segundo informações chegadas ao JSN, a comunidade cabo-verdiana do bairro está indignada com a atitude Câmara e o silêncio da Embaixada de Cabo Verde em Portugal. “Eles estão de braços cruzados, deixaram-nos completamente ao abandono, ainda nenhum funcionário apareceu aqui e, muito menos, a embaixadora que apenas gosta de vida boa”, desabafaram ao nosso jornal. 

 

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