HABITAÇÃO: Caso de Santa Filomena consta de protesto internacional em Cannes

. Publicado em 11ª Ilha

É uma resposta à realização da maior feira internacional do negócio imobiliário, o MIPIM, que tem por palco aquela cidade francesa. Os ativistas portugueses vão denunciar o caso do bairro da Amadora, onde reside uma grande comunidade cabo-verdiana, comprado recentemente por um fundo de investimento bancário, e que tem estado a sofrer um processo violento de expulsão e despejos de famílias que já ali habitam há décadas


 

A Aliança Europeia de Ação pelo Direito à Habitação e à Cidade organiza esta quarta-feira, em Cannes (França), um grande protesto contra a especulação imobiliária em resposta à realização da maior feira internacional de negócio imobiliário, o MIPIM, que se se iniciou ontem e se prolonga até à próxima sexta-feira, 14.

Os ativistas portugueses marcam também presença no protesto e o caso do Bairro de Santa Filomena (na foto), “comprado recentemente por um fundo investimento do Millennium-BCP, [e que] tem estado a sofrer um processo muito violento de expulsão e despejos sem alternativas de muitas famílias que já ali habitam há décadas”, nomeadamente cabo-verdianas, vai estar na agenda de uma ação que conta com a presença de coletivos e movimentos sociais de 15 países e de várias cidades francesas, bem como de Amsterdão, Atenas, Barcelona, Geneve, Istambul, Padova, Lisboa, Milão, Roterdão, Londres, Rhine-Ruhr-Metropolis e Wallonie, entre outras.

Da agenda do protesto constam uma conferência de imprensa, um Tribunal Popular, concertos e intervenções de elementos dos vários coletivos e movimentos sociais.

Denunciar a especulação imobiliária

O objetivo do evento, segundo a Aliança Europeia de Ação pelo Direito à Habitação e à Cidade, é a denúncia da “especulação e a expulsão das pessoas das suas casas, dos seus bairros e das suas cidades exemplificando, com casos específicos, como é que tais processos acontecem e são promovidos em feiras como estas onde tudo se vende: terra, casas, prédios – habitados ou não - bairros e cidades”, pelo que cada delegado ao protesto “irá apresentar casos específicos do seu próprio país, em que governantes e investidores imobiliários, que participam no MIPIM, promovem negócios e operações urbanísticas que resultam em alterações profundas das nossas cidades, no encarecimento da habitação, na privatização de espaço público, na promoção do despejo e na expulsão das classes trabalhadoras” do espaço urbano, causando impacto na vida das pessoas.

Autoridades francesas proíbem manifestações

Os ativistas consideram “inexplicável” que o edil da cidade de Cannes tenha proibido manifestações nas artérias próximas do MIPIM, e advertem não aceitar “o constrangimento à liberdade de manifestação” e que irão “manter-se firmes na sua intenção de se manifestar pacificamente como estava previsto”. Ao protesto aderiram também sindicatos, associações de bairro, associações de moradores, movimentos de trabalhadores precários e artistas, entre outros.

 

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