MANIFESTAÇÃO: Moradores de bairros pobres protestam na Amadora

. Publicado em 11ª Ilha

Moradores de Santa Filomena, Casal da Boba, Alto da Damaia/Reboleira, Casal da Mira e Estrela de África exigiram “diálogo e respeito” e denunciaram que demolições, despejos e cada vez mais gente sem casa é o resultado das políticas seguidas pela autarquia socialista que, de igual modo, determinou um aumento insustentável das rendas nos bairros sociais


  

Dezenas de moradores de bairros degradados e de habitação social protestaram na última quarta-feira, 26, junto à Câmara da Amadora (Portugal), grande parte deles de origem cabo-verdiana, que têm vindo a debater-se, por um lado, com os despejos determinados pela autarquia e, por outro, com o aumento das rendas de casa.

Numa manifestação convocada pelo Coletivo pelo Direito à Habitação e à Cidade (HABITA) e pela Assembleia da Habitação, os moradores – provenientes dos Santa Filomena, Casal da Boba, Alto da Damaia/Reboleira, Casal da Mira e Estrela de África - exigiram “diálogo e respeito” nos processos de despejo e demolição que a Câmara Municipal tem vindo a promover.

Câmara desumana

No preciso momento em que o executivo municipal, dirigido por Carla Tavares (Partido Socialista) iniciava uma sessão pública dentro dos Paços do Concelho, várias pessoas ostentavam cartazes onde denunciavam a desumanidade da autarquia na fixação de novas rendas, como foi o caso de Laurença Rosário, uma cabo-verdiana de 54 anos, moradora no bairro social de Casal da Boba, que numa cartolina queixava-se de não poder pagar a renda de 318 euros, já que apenas aufere um ordenado de 485 euros. "Não quero viver de borla em Portugal, porque sempre trabalhei, mas agora preciso de ajuda para uma renda mais baixa, que possa pagar", disse a moradora à agência Lusa, inconformada por a sua renda ter sido aumentada em mais 200 euros, em dezembro do passado ano.

Ausência de diálogo

A iniciativa, que contou também com animação cultural e distribuição de folhetos, pretendeu, segundo Rita Silva, da Assembleia da Habitação, alertar para os tempos difíceis que se vivem nos bairros da Amadora, que se traduzem em “despejos forçados sem qualquer alternativa” e “realojamentos autoritários, em número excessivo de pessoas em casas sem a dimensão" adequada, bem assim em "aumentos insuportáveis de rendas que estão a empobrecer famílias que já vivem com dificuldades" nos bairros municipais de habitação social.

Para Rita Silva, a autarquia socialista "tem mostrado uma total ausência de diálogo, revelando que trabalha mais para fundos de investimento imobiliário do que para proteger a vida, a estabilidade e os direitos" dos habitantes dos bairros, numa alusão ao facto de a Câmara ter vendido o terreno do Bairro de Santa Filomena a uma instituição bancária.

Pobreza extrema

Em representação dos moradores, Suzana Duarte declarou que "os despejos em vários bairros estão a deixar as pessoas na rua e em pobreza extrema" e desafiou a autarquia a dialogar com todos os afetados pelas ações de demolição, despejo e realojamento, no que foi corroborada por um morador de Santa Filomena que acusou a autarquia de não ser sensível ao drama dos despejados, que ficam na rua e “as pressões” a que as pessoas estão sujeitas para abandonarem as suas casas, pressões essas que têm vindo a ser definidas como “terrorismo social” pelos movimentos e coletivos portugueses que vêm apoiando os moradores.

Carla Tavares, a edil da Amadora, por seu lado, sustenta que a autarquia não pode deixar de aumentar as rendas de casa e reiterou: "a nossa disponibilidade para o diálogo é total", mas advertindo que vai prosseguir "com determinação" a demolição dos bairros de Santa Filomena e Estrela de África.

Presidente foge ao diálogo

A presidente da autarquia, contudo, cedo acabou a reunião com os moradores e, segundo Rita Silva, da Assembleia da Habitação, Carla Tavares “mostrou que não tem capacidade nem para dissimular uma resposta” e, por tal, suspendeu o encontro. “Os bairros juntos e as pessoas organizadas serão muito mais difíceis de ludibriar pela câmara, que já não se sente tão à vontade para cometer todos os atropelos, arbitrariedades e ameaças”, sustenta a ativista, congratulando-se pelo envolvimento, pela primeira vez, dos moradores do Bairro 6 de Maio, e lamentando que os residentes da Cova da Moura ainda não se tenham associado ao processo, mas acreditando que oportunamente o venham a fazer.

com Lusa

 

comments

Comentários (0)

Cancel or

Comentar


Código de segurança
Atualizar

Edição em papel

Brevemente disponível
para download em PDF
(Gratuito)