RELATÓRIO BCV: Cabo Verde é o país que cresce menos na CEDEAO

. Publicado em Economia e Negócios

Aproveitando a “boleia” do banco central, o principal partido da oposição traça um cenário pouco promissor do futuro do país caso não se mude de governo e de políticas. Segundo Olavo Correia, o modelo económico está esgotado, a estagnação está a impedir o crescimento e sem financiamento é impossível dar combate ao desemprego


 

O Movimento para a Democracia (MpD) considera que o relatório do Banco de Cabo Verde (BCV) sobre o estado da economia em 2013 traça um cenário negativo do país que decorre, segundo Olavo Correia, de um enquadramento externo não favorável, mas “essencialmente” das “fragilidades internas” e do “bloqueio ideológico”. Razões “que justificam o estado atual da economia cabo-verdiana”.

Para o economista e vice-presidente do MpD “crescemos pouco, de forma pífia e estamos em profunda estagnação económica”, um crescimento muito inferior aos países da África Subsaariana e da região da CEDEAO. “Cabo Verde cresceu em média na ordem dos 1 por cento (%) nos últimos cinco anos, enquanto a África Subsaariana cresceu acima de 5% e as Seychelles e Maurícias cresceram na ordem dos 4%”, refere Correia, considerando que o crescimento da riqueza corresponde apenas a cerca de metade do crescimento da população, sugerindo por tal facto o empobrecimento médio dos cabo-verdianos.

Estagnação económica condiciona crescimento

“Temos mais de 100.000 cabo-verdianos em idade ativa (50% do total) ou no desemprego ou no subemprego”, diz Olavo Correia, acentuando que “a estagnação económica, com elevada taxa de desemprego e subemprego e com profundos desequilíbrios macroeconómicos, marcada pelo excesso do endividamento público, condiciona o crescimento futuro e é motivada pela fraca capacidade produtiva, pela pouca diversificação da economia, pela rigidez laboral, pelo peso excessivo do Estado na economia e pela ausência de reformas económicas estruturais nos domínios da fiscalidade, do financiamento à economia, do Estado e da Administração pública, dos transportes e da unificação dos mercados e no domínio laboral”, o que ocorre – ainda segundo o economista por razões de natureza ideológica.

Sem financiamento não há emprego

Efetivamente, segundo o vice-presidente do MpD, “são razões essencialmente ideológicas que justificam a redução do rendimento disponível das famílias e dos particulares e o seu crescente endividamento e aumento do nível do crédito mal parado”, sublinhando que “sem financiamento não haverá crescimento económico, não haverá empregos nem rendimentos; e sem rendimentos não há poupança nem investimentos”. Ou seja, não há crescimento, o que acentua o “esgotamento” deste modelo económico.

Mudar de Governo e de políticas

Para o MpD, a mudança do modelo económico exige a consequente mudança de Governo e de políticas, pelo que considera fundamental “quebrar o círculo vicioso da estagnação económica, do aumento de desemprego e do empobrecimento do país”, o que só poderá ocorrer através da alternância política. Isto é, em 2016 o PAICV terá de ser apeado do poder e substituído por um Governo ventoinha para melhorar o ambiente de negócios, promovendo “reformas estruturais” que em áreas como o financiamento, a fiscalidade, a unificação do mercado interno e a internacionalização da economia e das empresas cabo-verdianas. Medidas só exequíveis através da redução do peso do Estado na economia, promovendo a privatização de empresas e da gestão de alguns serviços públicos, bem assim medidas políticas que aprofundem a descentralização através de um processo de regionalização do país.

 

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