CABO VERDE: Personalidades avançam com movimento para criar “nova economia”

. Publicado em Economia e Negócios

Discretamente, os integrantes deste grupo têm vindo a mobilizar figuras proeminentes da sociedade cabo-verdiana que consideram esgotado o modelo económico defendido há mais de uma década pelo governo de José Maria Neves


 

No rescaldo do II Fórum de Transformação de Cabo Verde, impulsionados pelas intervenções do antigo primeiro-ministro Gualberto do Rosário e do secretário-geral-adjunto das Nações Unidas, Carlos Lopes, várias personalidades cabo-verdianas estão a aderir a um movimento pela implementação de reformas que visa, desde logo, lançar os fundamentos de uma “nova economia”, mas também reformas políticas consideradas fundamentais para retirar o país da situação de estagnação em que se encontra, segundo defendem os seus promotores.

Tendo como figura proeminente o economista Eugénio Inocêncio, ex-governante nos anos 90 e atual vice-presidente da Câmara de Turismo, o movimento terá a intenção de, oportunamente, apresentar as suas posições ao Presidente da República, embora no Gabinete do Chefe de Estado, segundo uma fonte contactada pelo JSN, não haja ainda qualquer informação neste sentido.

Dar a volta à economia

As preocupações deste grupo centram-se fundamentalmente em questões económicas, nomeadamente, nas dificuldades vividas pelo país, o que tem sido acentuado nos últimos tempos pela oposição, por especialistas e por organizações internacionais, que apontam estar Cabo Verde numa situação de encruzilhada e de perigosa dependência da débil economia europeia.

Uma das posições deste grupo vai no sentido (como acentuou Carlos Lopes no II Fórum de Transformação de Cabo Verde) de virar mais a economia para a região africana e, por outro lado, inverter as resistências do governo de José Maria Neves à privatização, diminuindo cada vez mais o protagonismo do Estado na economia do país.

A ideia é a adoção de um novo modelo económico que permita a Cabo Verde tirar partido da sua privilegiada situação geográfica, ancorando a economia em setores como o turismo, transportes, a distribuição de combustíveis e a criação de um centro internacional de negócios, o que passaria pela construção de refinarias e a instalação de grandes bancos europeus e norte-americanos.

Para os promotores deste movimento, o recentrar da economia nestes setores permitiria elevar o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e situar o desemprego numa confortável taxa de três por cento (%).

No entanto, para realizar tais objetivos seria necessário uma grande concertação política e social, envolvendo os partidos, os sindicatos e a sociedade civil, que permitisse avançar com reformas legislativas, senão mesmo com a revisão da Constituição.

 

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