ULISSES CORREIA E SILVA: Estado não pode ser negociante

. Publicado em Economia e Negócios

Segundo denúncias de jovens empresários, o Estado anda a fazer concorrência desleal intervindo em áreas que deveria deixar para os privados. NOSi, Escola de Hotelaria e Turismo e Casa para Todos foram os exemplos mais citados durante a visita do líder do MpD a empresas lideradas por jovens


 

De visita a empresas caboverdianas lideradas por jovens, Ulisses Correia e Silva esteve na Ink Toner, Else It e Guia de Serviços, na cidade da Praia, onde constatou as dificuldades sentidas por quem teve a ousadia de ser empreendedor. “Esses jovens têm problemas no acesso a financiamento bancário. Hoje o crédito está mais difícil porque acarreta muitos riscos por causa do alto endividamento do país. Enfrentam problemas fiscais, pois esses jovens empresários reclamam do excesso da carga tributária, de impostos muito elevados, de uma administração fiscal que é muito agressiva. Há ainda o problema de mercado onde o próprio Estado faz-lhes concorrência. Temos estado a assistir ao próprio Estado a tirar mercado aos privados e aos jovens”, disse Ulisses no final da visita.

Durante a visita às empresas, que decorreu no âmbito da preparação do debate parlamentar sobre O Estado da Nação, o líder do MpD foi confrontado com queixas de jovens empresários denunciando o facto de o Estado surgir como o seu maior concorrente. E os exemplos foram claros. No ramo das tecnologias de informação foi referida a ação do NOSi, que compete diretamente com as empresas privadas numa lógica de desigualdade de oportunidades, pelo que se manifesta necessário liberalizar o setor da ação do Estado. Mas também foi referido o caso da Escola de Hotelaria e Turismo, um estabelecimento público que explora cantinas em empresas e ministérios retirando mercado às empresas privadas que operam no setor; e ainda o programa Casa para Todos, subjacente a um “conceito estatizante de construção da habitação”, responsável pela situação de dificuldades que vivem as empresas caboverdianas de construção civil, algumas delas já com as portas encerradas.

Um problema ideológico

Ulisses Correia e Silva disse que o seu partido defende que o Estado deve ter um papel completamente diferente, não se devendo substituir aos privados nem ser concorrente. “O MpD entende que o Estado deve ser fomentador e promotor da atividade económica, regulador do mercado. Portanto não pode ser [um] Estado negociante”, sublinhou o líder ventoinha.

“Esta é uma matéria que dificilmente este governo irá mudar, porque é um problema ideológico que está por detrás da forma como concebe o exercício do poder e como vê o Estado. Portanto, isso tudo só poderá mudar com a mudança de governo”, disse ainda Ulisses, prognosticando: “quando nós formos governo em 2016 faremos completamente diferente, porque acreditamos que o Estado não pode operar no mercado onde os privados operam”.

 

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