AUDIÊNCIA COM O PR: Confederação Empresarial quer consolidar independência económica dos PALOP

. Publicado em Economia e Negócios

Às independências políticas falta juntar a independência económica, o que só pode ser conseguido com uma nova mentalidade. Uma mentalidade competitiva e global, porque o africano deve ser dono do seu próprio destino, sustenta o presidente da Confederação Empresarial dos PALOP, Francisco Viana


 

Uma delegação da Confederação Empresarial (CE) dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) foi recebida pelo Presidente da República esta quarta-feira, 24.

Composta pelo seu presidente, Francisco Viana (na foto), pelo edil de Santa Cruz, Orlando Sanches, pelo empresário (e antigo membro do governo), José Brito, e pelo presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, Rui Amarante, a delegação apresentou a Jorge Carlos Fonseca o balanço da atividade da CE e anunciou os projetos que pretende desenvolver nos próximos tempos.

“Viemos dar conta ao senhor Presidente da República dos passos que a Confederação Empresarial dos PALOP tem vindo a dar para poder dar o seu contributo para a consolidação da comunidade, e viemos também agradecer o facto de os nossos líderes terem interpretado a vontade do povo, fortalecendo essa comunidade através da via dos negócios”, disse aos jornalistas Francisco Viana.

Independência económica

Segundo o presidente da CE, “é importante esse pilar económico porque ele vai ajudar a fortalecer a classe empresarial africana”. Em vias de assinalarem os 40 anos de independência política, aos PALOP falta “consolidar a independência económica”, pelo que as empresas “devem participar mais no comércio”, para se poder ver “mais comerciantes, mais empreiteiros nacionais a ganharem obras, ver mais cientistas, arquitetos e engenheiros a fazerem os seus projetos”, sublinhou Francisco Viana.

Na próxima cimeira dos PALOP, que se realiza na Praia em 2016, Viana pretende que “haja um grande encontro”, trazendo “toda a classe empresarial” para a capital de Cabo Verde.

“O africano deve ser dono do seu destino, por exemplo, ontem [terça-feira] assinamos com a Câmara Municipal da Praia para formar um parque empresarial - o projeto do World Trade Center Praia -, e só nós é que podemos, no fundo, ser o garante do progresso das nossas famílias”, disse ainda Francisco Viana, avançando um exemplo: “imaginemos que existem mil empresas aqui em Cabo Verde, se das mil empresas oitocentas não forem caboverdianas, então significa que Cabo Verde está a desenvolver-se com empresas estrangeiras, o que significa que o dinheiro, no fim, vai para fora”.

Nova mentalidade

Não sendo contra o investimento estrangeiro, Viana sustenta que as empresas de outros países devem-se juntar às nacionais e não apresentarem-se como competidores, pelo que “só através da capacitação e do trabalho, só através de uma nova mentalidade” - uma mentalidade “competitiva e global” - será possível aos PALOP dar o passo para a independência económica.

O Presidente da República realçou a necessidade de parcerias entre empresas privadas dos PALOP e a criação de espaços para que, em regime de partenariado ou não, as empresas possam construir espaços dentro do espaço PALOP, e sublinhou a necessidade de se apostar na qualidade dos projetos de investimentos e de desenvolvimento económico, pois que certas dificuldades na obtenção do crédito junto dos bancos têm origem na falta de qualidade dos projetos.

 

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