Isolamento de São Nnicolau adia desenvolvimento do turismo

. Publicado em Economia e Negócios

Não fora o isolamento a que São Nicolau está votado desde há anos, concretamente no que respeita às deficientes ligações aéreas e marítimas, o desenvolvimento da indústria turística poder-se-ia ter já operado alavancando a ilha a um outro patamar de desenvolvimento económico e de progresso social.

Por inoperância do poder central, pela inexistência de uma estratégia clara de desenvolvimento e de uma política de transportes que una, de facto, toda o País, São Nicolau continua a marcar passo, adiando o futuro e frustrando as expectativas dos jovens que, sem alternativas de emprego, rumam a Santiago e ao estrangeiro.

Muitos são os destinos de interesse turístico que a ilha oferece, da Ribeira Brava ao Tarrafal que, com uma boa campanha de marketing promovida pelas nossas representações diplomáticas e pelas autarquias, poderia trazer a São Nicolau turistas de várias partes do mundo, especialmente da Europa e dos Estados Unidos da América. Assim houvesse ligações regulares e com capacidade de resposta às necessidades da procura.

Aqui se dão a conhecer algumas das maravilhas da nossa ilha, entre tantas outras.

RIBEIRA BRAVA

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário – A sua origem remonta ao século XVIII, mas a sua atual edificação decorreu de uma reconstrução do templo operada no século seguinte, a partir de 1890, uma obra que demorou mais de sete anos e cuja inauguração ocorreu a 5 de maio de 1898. O espaço de culto foi já Sé numa altura em que o Bispo de Cabo Verde se mudou de Santiago para São Nicolau à procura de melhores ares e da tranquilidade que não lhe proporcionava a ilha-capital. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, juntamente com o Convento de São Francisco e o Forte de São Filipe (na Cidade Velha, Santiago) é considerada um dos mais importantes monumentos de Cabo Verde. 

Seminário-Liceu – Inicialmente, o edifício foi residência particular do grande filantropo Júlio José Dias que, em 1896, o doou à Igreja Católica, passando a funcionar como Seminário e Liceu, uma casa de conhecimento e cultura que acolheu nos seus bancos de ensino nomes referenciais da cultura cabo-verdiana como José Lopes e João Lopes, Baltazar Lopes da Silva e António Aurélio, ou Juvenal Cabral (progenitor de Amílcar) e Jaime Figueiredo, entre outros. 

Forte da Preguiça – Edificado no início do século XIX para, juntamente com o seu congénere de São Filipe (em Santiago), fazer frente às incursões de corsários que pilhavam a ilha, o forte apresenta-se na Baía de São Jorge, onde a apanha de lagosta promovida pelos pescadores locais, através de mergulho, constitui também um elemento de interesse turístico. 

Lagoas do Juncalinho – Autênticas piscinas naturais moldadas pela natureza, de água límpida e cristalina onde se projetam os tons turquesa, âmbar, água-marinha e jade da pedraria que, no fundo, dá uma beleza quase irreal à água com cheiro de peixe fresco.

Parque Natural de Monte Gordo – O Parque, que também se estende ao município do Tarrafal, faz-se aos passantes a partir de Cachaço e é o ponto mais alto de São Nicolau (1312 metros de altura e uma área próxima dos 952 hectares), dando pela fabulosa vista a real dimensão da pequenez humana perante o gigantismo da natureza e o poético recorte das montanhas. Com o céu limpo é possível ver, para ocidente, os ilhéus Raso e Branco; e, mais além, a selvagem ilha de Santa Luzia, o deslumbrante Monte Cara de São Vicente e mesmo a ilha de Santo Antão. Sendo uma das 43 áreas protegidas de Cabo Verde, o Parque Natural de Monte Gordo é um dos mais importantes ecossistemas agrícolas do país e caracteriza-se pela sua biodiversidade. 

TARRAFAL

Cidade do Tarrafal - A história da pesca em Cabo Verde conta-se a partir do Tarrafal. Da pesca da baleia, primeiro praticada por açorianos, mais tarde por cabo-verdianos, à artesanal e industrial, incentivada a partir da instalação da conserveira SUCLA - fundada pelo cidadão português António Assis Cadório, mais tarde apoiado pela família Loureiro Rabaça -, trazendo da Madeira os pioneiros da pesca no Tarrafal e que transmitiram a arte aos cabo-verdianos. E é precisamente o espaço da residência do primeiro proprietário que irá receber obras de requalificação tendentes à instalação do Museu da Pesca e do Mar que, a breve prazo, constituirá importante polo de atração turística-cultural.

Mas, na malha urbana, constitui por igual ponto de atração turística-cultural as ruínas do Campo de Concentração do Tarrafal que, de 1931 a 1932, albergou opositores da ditadura de Salazar, particularmente aqueles que lideraram a revolta da Madeira (1931). Praticamente abandonado à marcha indelével do tempo e ao vandalismo, do campo original restam ainda alguns vestígios e a Câmara Municipal está a proceder à sua requalificação tencionando transformá-lo num espaço de memória viva da resistência à ditadura, memorial da luta dos povos pela liberdade e democracia, e centro de cultura e conhecimento.

As areias negras que marginam a cidade e fazem fronteira com esse mar imenso possuem reconhecidas qualidades terapêuticas e, cada vez mais, são destino dos cultores de talassoterapia, procurando na nossa costa fonte vivificante de vida, afirmando o Turismo de Saúde como uma mais-valia do Município.

Praia Branca - A pitoresca aldeia, agora a caminho de se transformar em vila (uma intenção da vereação atual que mereceu já o apoio do ministro da tutela) é prado fértil da nossa cultura. Berço da morna “Sodad dnha terra Saninclau” (imortalizada principalmente por Cesária Évora) e do seu autor Armando Zeferino Soares, Praia Branca é ainda terra natal de Paulino Vieira e de seu pai Matias Santos Vieira, bem como daquele que é considerado o pai da moderna poesia cabo-verdiana, Pedro Corsino d’Azevedo. 

A partir de Abril deste ano, o Largo do Laja passou a ser palco do “Sodad, Festival d’ Morna”, uma iniciativa camarária que homenageia Armando Zeferino Soares e que almeja ser mais um chamariz para o Turismo Cultural. A edição do próximo ano já está em marcha, de 4 a 6 de Abril de 2014, o “Sodad, Festival d’ Morna” faz-se ao palco, mas as datas já estão marcadas nas agendas turísticas.

As festividades de São João também comemoram-se ali com grande pompa. E nos campos circundantes podemos assistir às “viradas”, quando se juntam os animais para controlo periódico.

Ribeira Prata - Magnífico e imponente vale verde, ladeado por montanhas majestosas, aqui se fabrica artesanalmente o grogue e a farinha de mandioca. Lendas de Caminho de Pau e feiticeiras associam-se ao folclore do vale. E as mornas “Ribeira Prata” e “Rotcha Scribida” são dois exemplos de afeto e morabeza.

Parque Natural do Monte Gordo - A vertente sul do parque, que inclui a Ribeira dos Calhaus, pertence ao Município do Tarrafal. Tão bonito como a vertente Norte. Sua beleza assenta na aridez da paisagem, nas formas caprichosas esculpidas pelo vento, na vegetação de deserto, sobretudo na paisagem lunar, com o mar como pano de fundo.

Praia de d’Baixo d’Rotcha - Suas areias orgânicas brancas e o isolamento, emprestam magia a um local tão recôndito, quanto idílico. Da desova de tartarugas a casting, mergulho e surf, pode-se ali desfrutar de tudo um pouco.

Pesca Desportiva - A costa Sul de Tarrafal é um dos melhores locais do mundo para pesca de mar alto, circunstância que atrai anualmente praticantes anónimos e recordistas mundiais.

Fonte: Câmaras Municipais da Ribeira Brava e do Tarrafal

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