JORGE CARLOS FONSECA: Estado deve abrir linhas de crédito e instituir seguros de colheita

. Publicado em Economia e Negócios

Apesar dos ganhos alcançados no setor agrícola, é preciso apoiar mais as mulheres e os homens que trabalham a terra e investir na proteção social. A Agricultura, segundo o Presidente da República, deve ser ambientalmente sustentável e económica e socialmente benéfica para quem produz


 

Assinalando o Dia Mundial da Agricultura, que hoje se comemora, Jorge Carlos Fonseca defende que “o papel do Estado não fica pelas infraestruturas e pela educação escolástica”, porquanto “a assumção do papel de fomento da atividade agrícola, primária e secundária, tem de ser uma aposta coerente e a alcançar”, desde logo “a sofisticação da extensão rural e da protecção vegetal é urgente”, mas também “a abertura de linhas de crédito para apoio à empresarialização da atividade agrícola é fundamental”, bem como “a instituição do seguro de colheita é imperiosa e o incentivo à agro-indústria é vital”, pode ler-se na mensagem do Presidente da República a propósito da efeméride.

Agricultores com falta de recursos

Para Jorge Carlos Fonseca “as linhas de crédito para a modernização da Agricultura são uma necessidade insofismável”, na medida em que “a atividade agrícola empresarial, como qualquer outra, exige recursos, recursos estes que não abundam entre os nossos agricultores”, porque “por maior disponibilidade, capacidade técnica e infraestruturas de que disponham, não iriam longe sem financiamentos a custo controlado”. E o Presidente considera, de igual modo, fundamental a instituição dos seguros de colheita virados para a agricultura de sequeiro.

Revelando conhecer bem a realidade agrícola nacional, Jorge Carlos Fonseca acentua que “os nossos centros urbanos, exercendo forte atração sobre a geração que herdou terrenos de sequeiro no meio rural, provocam alguma desmobilização em relação à preparação do solo, sementeira, monda e remonda nas propriedades de sequeiro”, uma desmobilização que é preciso conter, porquanto “a deslocação do centro urbano para o campo, a contratação de mão-de-obra para a lavoura e os custos com a alimentação da referida mão-de-obra têm feito com que muitos desses herdeiros pensem duas vezes antes trabalharem o sequeiro”, o mesmo ocorrendo com as variações climáticas, porque a “ausência de garantia de colheita tem feito com que grandes superfícies de sequeiro fiquem por cultivar”, particularmente no que respeita ao milho.

Segundo o Presidente, “dá pena, em ano de boas azáguas ver terrenos bravos onde poderia haver fartura”, pelo que “um seguro de colheita em que o agricultor, de posse de uma apólice, poderia ser ressarcido dos prejuízos derivados da ausência ou irregularidade das chuvas, é uma estratégia a ponderar”, defende.

Agricultura teve grandes avanços

De qualquer modo, o Presidente da República faz um balanço positivo dos investimentos feitos na agricultura, salientando que “a agro-indústria entrou definitivamente na agenda política”, pese embora a necessidade de se darem mais incentivos às empresas e cooperativas de produção que operam neste setor.

“Pode ser ainda uma ambição, mas, se excetuarmos a questão da produção cerealífera, sente-se que, no resto, estamos caminhando, a passos largos para a auto-suficiência alimentar”, acentua Jorge Carlos Fonseca que a considera “um imenso ganho”. Mas o Presidente alerta para a urgência do “reconhecimento e devido amparo ao trabalhador do campo cuja existência de relativa ausência legislativa no que concerne à sua proteção social foi, em certa medida, minorada, pela extensão da cobertura da previdência social no país, mas que continua a carecer de reforços sendo a agricultura o setor que alberga a maioria dos pobres”.

Jorge Carlos Fonseca considera também “notáveis os esforços feitos no domínio da mobilização da água”, tendo-se apostado “forte na construção de barragens de retenção, na dessalinização da água do mar e em novas tecnologias de irrigação”, com o consequente ordenamento das bacias hidrográficas e transformando “as nossas ribeiras em vales verdejantes e pujantes de vida”, o mesmo acontecendo com os esforços para a conservação dos solos.

Para o Presidente, pesem embora os esforços e ganhos alcançados, é fundamental “não se perder o comboio da Agricultura”, pelo que é necessário encontrarem-se as melhores formas para uma atividade ambientalmente sustentável e económica e socialmente benéfica” para as mulheres e os homens que trabalham a terra.

 

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