EDITORIAL: O Dia de Amílcar Cabral, uma data com memórias dentro

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Esta efeméride - como o 13 de Janeiro e o 5 de Julho - deveria ser momento de unidade nacional e não oportunidade de acinte e partidarização da vida política, mas para isso é preciso resgatá-la e resgatar Amílcar Cabral do colete-de-forças redutor de um partido, razão de muitos mitos, incompreensões, acintes e divisões, e, desde logo, dizer a verdade sobre as circunstâncias da sua morte


O Dia dos Heróis Nacionais, dia de exaltação do orgulho pátrio pela história recente desta Nação, é comemorado um pouco por todo o País e pela diáspora. Mas, ao contrário do que hoje acontece, independentemente do momento histórico que assinala, fixado no tempo, tomando como referência o contributo de Amílcar Cabral e dos seus companheiros de luta pela independência de Cabo Verde, poderia ser estendido a outros momentos da História e a outros atos de heroísmo de uma Nação que regista 552 anos de existência.

É que, no decurso desse longo processo de mais de quinhentos anos, não peca a marcha da Nação por falta de heróis, de protagonistas indomáveis da sagrada luta pela liberdade. Perguntarão alguns: mas não seria isso menorizar a importância de Cabral no processo de independência de Cabo Verde? Pelo contrário, seria engrandecer um combatente e situá-lo no tempo como consequência e continuidade de uma luta mais vasta pela dignidade deste povo. A História de Cabo Verde, ao contrário do que parece ser a intenção de alguns, não começa em 1975 nem se esgota no 5 de Julho.

Que Amílcar Cabral é uma grande figura da História de Cabo Verde, parece ser um facto indesmentível; que legitimamente é considerado o “pai” da independência, parece não haver dúvidas; que sem a sua ousadia de sonhar com uma Nação livre, a independência poderia não ser hoje realidade, é provável.

Por isso se manifesta de importância suprema, por um lado, alargar o caráter simbólico da efeméride e, por outro, desapaixonadamente estudar a vida e obra de Cabral, nas suas diversas componentes - que não se resumem nem esgotam na atividade política -, contextualizando-o no tempo histórico que viveu e resgatando-o do colete-de-forças redutor de um partido, razão de muitos mitos, incompreensões, acintes e divisões, e, desde logo, dizer a verdade sobre as circunstâncias da sua morte. Goste-se ou não da personalidade e das suas ideias, Cabral é um dos grandes nomes desta Nação, com um contributo insubstituível para a construção do Cabo Verde que hoje conhecemos.

As grandes datas nacionais - 13 e 20 de Janeiro e 5 de Julho - só poderão ser verdadeiramente nacionais se compreendidas por todos, e por todos assumidas como razão de orgulho e unidade. Daí a importância simbólica de o atual Presidente da República ter sido o primeiro Chefe de Estado em exercício de funções a valorizá-las e celebrá-las com a mesma dignidade e princípio de igualdade.

António Alte Pinho | Editor | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.">Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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