NOTA EDITORIAL: Carnaval, dois pesos e duas medidas

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É conhecida a triste e pindérica prestação da TCV no Carnaval de São Nicolau de 2013, que tudo indica se irá repetir este ano. Ademais, a ilha parece ser lugar inóspito e mal-amado para a comunicação social pública, que apenas tem um correspondente da Rádio Nacional na Ribeira Brava, e televisão nem vê-la


 

Com grandes parangonas, a Televisão de Cabo Verde (TCV) anunciou o seu regresso aos diretos do Carnaval do Mindelo através do programa “Show da Manhã”. Faz bem a televisão pública em dar destaque a uma das maiores manifestações culturais das ilhas, com grande envolvimento popular e fator de animação das economias locais. E duplamente faz bem que aponte a parafernália de meios humanos e técnicos para uma ilha que tem sido alvo de uma estratégia “cirúrgica” de depauperação e esquecimento dos poderes públicos.

No entanto, faria ainda melhor – até por razões decorrentes da diversidade cultural e da reciprocidade de tratamento entre as regiões do país – que tal investimento de pessoas e meios fosse, de alguma forma, dividido por outras ilhas, nomeadamente por São Nicolau, onde o Carnaval tem uma expressão ancestral e os festejos são reconhecidos como dos melhores deste país.

São Nicolau está apagada do mapa, isolada por via marítima e aérea, desligada dos roteiros culturais nacionais, com exceção honrosa à meritória iniciativa do ministro Mário Lúcio Sousa que, em boa hora, fez da ilha a capital nacional do Carnaval, ao sedear entre a Ribeira Brava e o Tarrafal o Fórum Cultural Nacional, o “Carnavaleando”, que todos os anos traz a esta terra agentes culturais, autarcas e “militantes” desta causa.

É conhecida a triste e pindérica prestação da TCV no Carnaval de São Nicolau de 2013, que tudo indica se irá repetir este ano. Ademais, a ilha parece ser lugar inóspito e mal-amado para a comunicação social pública, que apenas tem um correspondente da Rádio Nacional na Ribeira Brava, e televisão nem vê-la.

O ministro Rui Semedo disse ontem que o Governo não pode influenciar a informação nos canais públicos, o que como princípio está certo (de momento que se aplique a todas as circunstâncias), mas, enquanto gestor dos dinheiros e do património público, o Executivo pode (e deve!) dar instruções para que se cumpram os preceitos constitucionais do direito à informação e da igualdade entre cidadãos e regiões do país.

Será que o dinheiro pago da taxa de radiodifusão pelos saninculaenses - rigorosamente debitada nas faturas da Electra – é falso? É que, não o sendo, não se percebe a razão de o escudo em São Nicolau (e noutras ilhas) ter cotação diferente daquela que tem a nível nacional, tal é a discriminação, a desfaçatez e a falta de vergonha que tem empurrado a ilha para o quintal das traseiras de Cabo Verde.

António Alte Pinho | Editor | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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