JOSÉ FREITAS DE BRITO: Trabalhamos para corrigir os erros do PAICV

Escrito por Editor JSN . Publicado em Grande Entrevista


Presidente da câmara municipal do Tarrafal faz balanço “francamente positivo” dos quatro anos de mandato e diz que a sua administração devolveu aos munícipes o “sentido pertença” ao Tarrafal

 

 

 

Em entrevista ao JSN, em vésperas de suspender funções para se dedicar à campanha autárquica, o edil do Tarrafal de São Nicolau avalia como “francamente positivo” o seu primeiro mandato e aponta alguns ganhos que segundo ele confirmam a sua avaliação.

 

José Freitas de Brito assegura ter envolvido as pessoas e comunidades locais nas decisões e garante que toda a ação da sua equipa e gestão teve por finalidade “melhorar as condições de vida das pessoas.

 

Confira a primeira parte desta entrevista onde o autarca não deixa de tocar na polémica questão das dívidas. Neste particular diz mesmo que “não há comparação possível” entre a situação herdada e a atual.

  

JSN - Está a concluir o mandato na câmara municipal, depois de uma presidência de quatro anos. A pergunta natural que se impõe: que balanço faz neste momento?

José Freitas de Brito - É um balanço francamente positivo e não é apenas retórica, é facto. Se não vejamos: devolvemos aos munícipes o sentido de pertença a esta terra. Muitos estavam à margem das decisões da câmara municipal e envolvemos as pessoas e comunidades locais nas decisões que têm por fim único melhorar as suas condições de vida.

 

O balanço é também positivo porque inauguramos uma nova forma de administração local, tratando as pessoas como gente e não como meras “coisas”. Infelizmente, a gestão do PAICV liderada por António Soares criou e instalou no Tarrafal uma situação dúbia na relação com as pessoas e instituições, não se sabia bem onde estavam as fronteiras, o que era câmara municipal, o que era o partido. Não havia essa separação de entidades mas hoje as pessoas sabem e conseguem discernir uma da outra. Não há mistura de funções nem mesmo expedientes para facilitar nada nem ninguém. Cumpre-se a lei.

 

Mas o balanço é também positivo porque temos uma câmara municipal ao serviço das pessoas, a trabalhar para o bem comum, uma equipa focada nos aspetos que permitem criar um melhor ambiente para se viver, uma equipa engajada e muito dinâmica.

 

É claro que nem tudo foram maravilhas. Encontramos obstáculos, alguns criados propositadamente pelos nossos adversários e até por colaboradores da câmara municipal que não conseguiram despir a camisola partidária, mas mesmo assim fomos trabalhando, driblando os constrangimentos, obtendo resultados. Nós temos um foco que é trabalhar para o bem comum e quando é assim não se pode desviar de caminho. Vamos continuar no rumo certo.

 

Chegou à câmara em agosto de 2012, mas naturalmente que quando chegou teve uma outra perceção da câmara, que não aquela que se sabe apenas por fora. Que constrangimentos encontrou?

Sim, a situação das dívidas foi o nosso maior constrangimento. Encontramos as finanças municipais no vermelho, dívidas com fornecedores em situação muito complicada mas tudo por causa de uma gestão que mais se preocupou com o partido, com a manutenção do poder e de cargos e não com o município e os munícipes.

 

As dívidas eram controláveis mas o PAICV focou na sua própria campanha e noutros interesses e esqueceu-se de governar o Tarrafal e isso foi mau para o município e suas gentes.

 

É verdade que foram dívidas avultadas, com serviços indispensáveis à câmara municipal mas a situação chegou a um nível insustentável porque quem governava preteriu o município em favor do partido.

 

No início da sua administração falou-se muito em dívidas herdadas do seu antecessor. Quatro anos depois, a situação já está resolvida?

Não há comparação possível. Hoje as nossas dívidas são e estão controladas, são dívidas de gestão normal mas nada que inspira preocupações até porque sabemos o que estamos a fazer mas o mais importante é ter controlo sobre elas. O que posso garantir aos munícipes enquanto presidente de câmara é que temos controlo sobre a situação, jamais chegaremos aos níveis de endividamento como fez o PAICV. Por outro lado, o conjunto de dívidas que temos neste momento representam investimentos na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

 

É bom que fique claro que esta nossa administração, durante todo o mandato, não contraiu qualquer empréstimo bancário precisamente porque o PAICV hipotecou o futuro do município mas estamos a trabalhar para sanear as dívidas e estamos, pouco a pouco, mas de forma consistente, a caminhar rumo ao desenvolvimento.

 

Damos apenas um exemplo. António Soares e o PAICV recorreram à banca por cinco vezes para um empréstimo de cerca de 82 mil contos para a construção do estádio de futebol, que entretanto não ficou concluído. Desse valor nós já pagamos cerca de 50 mil contos. É de realçar que mensalmente estamos a pagar ao banco por este empréstimo para o estádio cerca de 820 contos.

 

Já não existe aquela situação de aparente “falência financeira” da câmara municipal que sempre referia?

Naturalmente que não. É que nós trabalhamos para corrigir os erros do PAICV e apesar de a nossa agenda ficar condicionada, num primeiro momento, estamos a regularizar todos os pendentes. Neste momento a situação da dívida está controlada, não há razões para grandes preocupações. Temos presente as nossas responsabilidades e estamos constantemente a negociar. E agora que entrou em plenitude de funções o novo governo do Dr. Ulisses, iniciamos uma nova ronda de negociações para atender situações mais delicadas como é o caso do INPS.

 

Há, naturalmente, promessas de campanha em 2012 que não foram cumpridas. A que se deve este não cumprimento?

Essencialmente porque o PAICV e António Soares nos relegaram uma situação difícil que de certa forma condicionou o início de nossas funções mas mesmo assim estamos a trabalhar.

 

Diria que o paços do concelho e o mercado municipal são as duas obras que não pudemos avançar. Quanto ao paços do concelho, iniciamos o processo que está bem encaminhado, faltando agora a necessária engenharia financeira para podermos avançar para a próxima fase que são as obras.

 

Ao contrário do anterior governo, o novo governo tem sensibilidade para esta questão e vamos fazer as articulações necessárias para podermos avançar. Igualmente para o mercado municipal, iremos iniciar o processo provavelmente no início do próximo ano, com a consulta pública sobre a sua localização.

 

Entrevistado por Anísia Campinha

 

 

 

 

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