APESAR DE MORTO: Kumba Ialá é o vencedor das eleições na Guiné-Bissau

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Os jogos de bastidores marcam as eleições na Guiné-Bissau, que têm lugar este domingo, segundo António Pacheco, um especialista assuntos africanos e que bem conhece a realidade política guineense. O jornalista considera “inadmissível” a atitude de Ramos Horta ao permitir que o antigo presidente guineense seja enterrado depois das eleições: “uma pressão sobre o eleitorado”


 

Segundo o jornalista português António Pacheco (na foto), um especialista em assuntos africanos que conhece bem a vida política guineense, “já há um vencedor antes das eleições: o falecido Kumba Ialá fez surgir de um apagamento inevitável o candidato Nuno Nabian, sem experiência governativa, sem experiência empresarial, um nome secundaríssimo e que a morte do antigo presidente faz reaparecer da nebulosa”. Comentando o adiamento do funeral de Kumba para depois das eleições, o jornalista sustenta ser “inadmissível” a atitude do representante do secretário-geral das Nações Unidas, que “aceitou que as cerimónias fúnebres do antigo presidente ficassem para depois de conhecidos os resultados eleitorais”, o que considera ser “uma pressão sobre o eleitorado”.

Interesses particulares e oportunismo político

Centrando a sua análise nas eleições presidenciais, que ocorrem paralelamente às legislativas, António Pacheco defende que “a presença de tantos e inesperados candidatos é demonstração clara de interesses particulares” dos mesmos que, segundo o jornalista, “sabem que, em caso de segunda volta, poderão negociar benefícios financeiros, de prestígio e vantagens de grupos étnicos”, uma circunstância que sempre marcou a vida política na Guiné-Bissau. “Essa é uma tradição guineense, e eu diria mesmo africana. Com as eleições não perder tudo... mesmo eventualmente obter benefícios”, sublinha.

País refém dos militares

“A Guiné-Bissau mantém-se como refém dos militares, com equipamento militar escondido, fora de quartéis que não são da confiança do chefe militar e tribal, António Indjai”, sustenta Pacheco, que considera estas eleições “um ato formal que permite ao representante do secretário-geral das Nações Unidas, Ramos Horta, efetuar uma saída limpa do atoleiro guineense”, antes que “venha o dilúvio”, garantindo-lhe “uma promissora carreira como diplomata”.

Segundo o jornalista, “neste momento, os dois ou três candidatos mais bem colocados já assinaram discretamente acordos com as autoridades militares de Bissau”, acordos que têm como pano de fundo a garantia de o vencedor das presidenciais “não deixar mexer no atual poder militar” saído do golpe de Estado de 12 de abril de 2012.

Apesar de alguns receios manifestados a nível internacional, António Pacheco considera não haver risco de um novo golpe, já que “os militares controlam o poder guineense, ninguém conseguiu alterar este quadro de situação nestes últimos anos”, refere o jornalista.

 

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