PARLAMENTO EUROPEU: Extrema-direita vence em França e socialistas têm vitória à tangente em Portugal

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A tendência geral do ato eleitoral de ontem regista um facto novo na política europeia: o eleitorado divorciou-se dos partidos sistémicos, de que decorre o aumento da abstenção e o voto de protesto em partidos fora do arco do poder


 

As eleições para o Parlamento Europeu, realizadas este domingo, confirmam o preocupante ascenso da extrema-direita, com a Frente Nacional a vencer as eleições em França, impondo pesadas derrotas à esquerda e à direita tradicional e, mais que isso, pondo em causa o projeto europeu.

Em Portugal, a direita (no poder) sofreu a mais pesada derrota da sua história com os partidos do Governo (PSD e CDS) a ficaram juntos abaixo dos 30 por cento (%); com os socialistas a não conseguir uma vitória significativa; assinalando uma subida muito significativa da CDU (comunistas e verdes), que passa de dois a três deputados; uma esmagadora derrota do Bloco de Esquerda, que perde metade do eleitorado e fica apenas com um deputado (antes tinha três); e a impressionante subida eleitoral do pequeno Movimento Partido da Terra (MPT), que consegue eleger Marinho e Pinto (o ex-bastonário da Ordem dos Advogados) e o número dois da lista.

A vitória da Frente Nacional assinala um terramoto político em França e significa, mais do que um apoio expresso ao seu discurso racista e xenófobo, o desencanto do eleitorado com os partidos tradicionais e o projeto europeu que há muito parece ter deixado de corresponder à vontade dos povos. Por outro lado, a subida dos partidos fora do arco governativo em todo o espaço europeu reforça a ideia de que as forças políticas sistémicas estão divorciadas da realidade e do sentir mais profundo dos seus cidadãos que procuram à margem do sistema forma de expressarem o seu descontentamento.

Derrota do Governo

Em Portugal, com a campanha eleitoral muito centrada em questões nacionais, os partidos do Governo sofreram pesada derrota, mas o Partido Socialista, apesar de vencer, não conseguiu mobilizar o descontentamento contra as políticas do executivo de Passos Coelho e afirmar-se como alternativa clara, muito por razão da concentração dos votos à esquerda na CDU e do voto de protesto no emergente MPT, mais concretamente no seu mediático cabeça de lista. António José Seguro (o líder socialista) sai fragilizado destas eleições, depois de ter reiteradamente pedido a maioria absoluta ao eleitorado.

PS e PSD, tiveram juntos a pior votação de sempre para o Parlamento Europeu, tendo perdido meio milhão de votos relativamente ao sufrágio de 2009, bem assim metade do seu eleitorado das últimas legislativas.

Os três partidos do arco do poder (PS, PSD e CDS) apenas conseguiram alcançar pouco mais de 58,9 % dos votos expressos, num universo em que votaram apenas 34% dos eleitores. Ou seja, a sua votação corresponde apenas a um quinto do número total de cidadãos recenseados, o que deixa claro que, também em Portugal, a tendência de crescimento da abstenção tem sido imparável.

 

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