GUINÉ-BISSAU: Kumba Ialá abandona vida política ativa

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Ao fim de duas décadas, o “velho senhor” da política guineense afasta-se de cena, mas não prescinde de exercer uma cidadania ativa. Na despedida, destacou figuras como Amílcar Cabral, Nino Vieira, Mário Soares, Álvaro Cunhal e Francisco Sá Carneiro


No primeiro dia do ano o antigo presidente guineense Kumba Ialá anunciou que abandona a vida política ativa, acentuando que "tudo na vida tem o seu tempo". No entanto, deixou claro que não se despede da política, "mas de disputas e mandatos de cargos eleitorais”, realçando que “não é preciso, ter cargos para exercer a cidadania ativa". Uma decisão adotada após conversar com familiares, amigos e correligionários políticos, que acorreram à conferência de imprensa convocada para o efeito em Bissau.

"O rei Salomão dizia no velho testamento que há tempo para tudo na vida terrena de um homem. Há tempo para nascer e há tempo para morrer. Há tempo para odiar, tempo para amar, tempo para parar a guerra", referiu Kumba Ialá, recorrendo a um texto bíblico, e afirmando que a sua decisão é “irrevogável”, porque "os tempos são outros" e pretende dar espaço a novas figuras da política guineense. "Os que exerceram cargos públicos de relevo deviam afastar-se das lutas partidárias. Parto porque reformas importantes estão para ser feitas nos setores da Defesa e Segurança", alegou o ex-presidente, saudando as “grandes figuras” que inspiraram a Guiné-Bissau, como por exemplo Amílcar Cabral e Nino Vieira.

Kumba não esqueceu também a sua passagem por Portugal, enquanto estudante, destacando as figuras da política portuguesa que contribuíram para a sua formação democrática, nomeadamente os líderes socialista, comunista e social-democrata, respetivamente, Mário Soares, Álvaro Cunhal e Francisco Sá Carneiro (os últimos dois já falecidos).

Na política guineense durante duas décadas, Kumba Ialá fundou o Partido da Renovação Social (PRS) e ocupou o cargo de Presidente da República entre 2000 e 2003, altura em que foi afastado por um golpe de Estado militar.

 

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