Febre-amarela pode chegar à China e provocar "catástrofe global"

Escrito por Editor JSN . Publicado em Mundo

Especialistas em doenças infecciosas alertam hoje para o risco de o surto de febre-amarela em Angola chegar à China, onde dois mil milhões de pessoas sem imunidade contra a doença podem dar início a uma "catástrofe global"

 


De acordo com um artigo publicado na revista científica 'International Journal of Infectious Diseases', cientistas da África do Sul e de Singapura consideram "um equívoco" a posição da Organização Mundial de Saúde (OMS), que na semana passada decidiu não declarar o surto de febre-amarela uma emergência sanitária de alcance internacional.


Para Sean Wasserman, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, "o cenário actual do surto de febre-amarela em Angola, onde há numerosos trabalhadores chineses, muitos dos quais não estão vacinados, a par de grande volume de tráfego aéreo para um ambiente onde é possível a transmissão na Ásia não tem precedentes na história".


Declarado em dezembro do ano passado, o surto de febre-amarela em Angola registou até agora 2.504 casos suspeitos, dos quais 761 estão confirmados, e 299 mortos, o que representa uma taxa de letalidade de 12%.


Lembrando que a febre-amarela já fez dezenas de milhares de mortos no passado - o último surto registado na Europa ocorreu em 1905 em Gibraltar, e nos EUA em Nova Orleães no mesmo ano - os cientistas recordam que o risco de alastramento ao resto do mundo é hoje muito mais alto, devido à mobilidade internacional.


Embora exista uma vacina, que é altamente eficaz, a actual produção anual de 40 milhões de doses está longe de chegar para as necessidades, caso o surto actual siga o mesmo trajecto de doenças como a febre dengue, chikungunya ou zika, todas transmitidas pela mesma família de mosquito que transmite a febre-amarela, os 'Aedes'.


Segundo o último relatório da OMS sobre a situação da febre-amarela, datado de 20 de maio, a China já registou 11 casos importados da doença.


Este número, escrevem agora os cientistas, "mostra como é crucial reconhecer o risco agora, para tomar a acção preventiva adequada para que se possa evitar uma catástrofe global".
A vacinação, dizem, "é a única solução, mas há o risco de o mundo esgotar as doses existentes".

 


Lusa

 

 

 

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