ROMA: Papa em encontro com familiares de vítimas da Máfia

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Francisco vai falar e presidir a uma vigília de oração em que participam 1.600 associações, representando 15 mil familiares de pessoas assassinadas, feridas e vítimas de extorsão “Cosa Nostra”, uma organização criminosa com ramificações em vários países, particularmente nos EUA, o maior destino da emigração italiana no século XX


 

O Papa Francisco encontra-se na tarde desta sexta-feira com representantes de 15 mil familiares de pessoas assassinadas, feridas e vítimas de extorsão da Máfia (“Cosa Nostra”), uma organização criminosa italiana com tentáculos em vários países, especialmente nos Estados Unidos da América (EUA).

Numa nota à imprensa, a Santa Sé refere que o Bispo de Roma vai falar aos participantes e presidir a uma vigília de oração do encontro “dedicado às vítimas inocentes das máfias”, organizado pela Fundação Libera, dirigida pelo padre Luigi Ciotti, e tendo por palco a igreja de São Gregório VII, em Roma (a capital de Itália). No encontro participam 1.600 associações representando 15 mil familiares de vítimas da “Cosa Nostra”.

Momento de dor e esperança

O padre Ciotti considerou “muito bonito” o gesto do Papa, participando num encontro onde vão ser lidos "todos os nomes das vítimas, neste 21 de Março, primeiro dia da Primavera" e elogiou a disponibilidade de Francisco, referiu o sacerdote ao portal de notícias do Vaticano.

No dia que, desde 1996, é assinalado em Itália para evocar as “Vítimas Inocentes da Mafia”, o padre Luigi Ciotti disse ainda que a presença do Papa é um símbolo de “atenção” e “sensibilidade”, neste “momento carregado de dor, mas também de esperança” e de denúncia “das muitas formas de injustiça que negam a dignidade humana”.

Mafiosos sem funeral católico na Sicília

Na Sicília, o berço fundador da “Cosa Nostra”, a Igreja Católica recusa-se a fazer funerais religiosos a mafiosos, conforme anunciou o Bispo de Acireale, Antonino Raspanti, em junho de 2013, durante uma audiência com a então ministra da Justiça italiana, Anna Maria Cancellieri.

“Ser cristão é incompatível com as ligações a organizações mafiosas”, sustentou o bispo, alegando que a medida visa “acordar as consciências”, chamando a atenção para um problema que atormenta a sociedade italiana.

Durante vários anos, a Igreja Católica foi acusada de ser muito branda com a Máfia, havendo até casos de envolvência em negócios com a organização criminosa que, durante bastante tempo, teve grande ascendente sobre instituições financeiras ligadas ao Vaticano. Mas, em 1993, um sacerdote que trabalhava com jovens na cidade de Palermo foi assassinado por mafiosos. O padre Pino Puglisi era um fervoroso opositor da Máfia e a organização criminosa não lhe perdoou a ousadia. A Igreja procedeu à sua beatificação, sendo a primeira vítima da “Cosa Nostra” a receber tal distinção.

 

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