EMANUEL BARBOSA: Doentes evacuados - tratamento justo e igual, exige-se

. Publicado em Opinião

Quem não está em condições de garantir estas premissas tem de se pôr a andar, de preferência pelos seus próprios pés, como acontece nas democracias modernas, onde a responsabilização política deve estar sempre presente e acasalada com a ética da responsabilidade


 

A dignidade humana é um bem intangível, que todos devemos defender, apartando as motivações partidárias capazes de condicionar e tolher a nossa capacidade de discernimento, chegando a colocar em crise o facto de sermos um ser pensante com a obrigação de pensar bem na linha do que o filósofo e matemático Francês Blaise Pascal afirmou: “O homem é feito visivelmente para pensar; é toda a sua dignidade e todo o seu mérito; e todo o seu dever é pensar bem.”

Se não pensarmos bem, não temos dignidade, nem mérito. Por isso, no que tange aos doentes evacuados, é momento de todos nós focarmos a atenção no essencial, que é a solução do problema. Começando pelos pontos que são exequíveis, sem muito esforço, como sendo, por exemplo, a questão do alojamento, que, com alguma imaginação, é possível que sejam encontradas soluções capazes de conferir dignidade e qualidade de vida a estas pessoas, ademais quando, simultaneamente, se pode poupar dinheiro que provém do erário, significando dos bolsos de cada um de nós, o que devia ser razão de alguma parcimónia na forma como é gasto. 

Mas aqui a responsabilidade cimeira é do governo, que tem a faca e o queijo nas mãos e que pode, querendo, mudar o rumo a este estado de coisas e, em particular, no que respeita ao alojamento acima referenciado, a mudança depende unicamente da vontade da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, instituição cabo-verdiana que faz a intermediação com os doentes evacuados,  que tem escolhido as miseráveis pensões e contratualizado rendas exorbitantes longe de condizer com as condições que exibem.

O governo de Cabo Verde, querendo, muito pode fazer para devolver a dignidade a estas pessoas que nunca devia ter sido colocada em causa, pois a frase que se segue, da autoria de Natalino Gomes da Silva, é elucidativa na valoração da dignidade humana: “Retire-me o meu ouro, minha prata; mas nunca ouse tirar a minha dignidade. Um homem sem moral é um ser sem honra”.

 

Portanto, o caminho óbvio é corrigir o erro, acertar o passo e tomar medidas para que no futuro não tenhamos nenhuma recaída nesta matéria.

 

E chegado aqui é bom lembrar que quem denuncia está a fazer o seu papel e não deve ser diabolizado; e, no caso em apreço, na qualidade de deputado, não fiz mais do que fiscalizar a actuação do governo e defender os interesses da Nação, defendendo o que lhe deve ser mais caro, que é a dignidade humana do seu povo onde quer que esteja.

 

Reza o art.1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos que “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.”

 

Portanto, não é admissível que, por acção do governo de Cabo Verde, existam hoje em Portugal doentes de primeira e de segunda. Uns, com dignidade; outros, no caso os doentes da promoção social, a quem esta garantia não passa de vãs direitos para inglês ver e para os quais o espírito de fraternidade está relegado para as calendas gregas. Enquanto assim for, colocarei todas as minhas energias para que assim deixe de ser.

 

Tratamento justo e igual, exige-se; e, também, espera-se que o bom senso impere e que não haja necessidade de estes doentes se levantarem contra o status quo reinante, empunhando o lema da Revolução Francesa de 1789 – “Liberté, Egalité, Fraternité” - para conseguirem o que lhes é devido num Estado de Direito democrático.

 

Tratamento igual e justo, exige-se; e quem não está em condições de garantir estas premissas tem de se pôr a andar, de preferência pelos seus próprios pés, como acontece nas democracias modernas, onde a responsabilização política deve estar sempre presente e acasalada com a ética da responsabilidade.

 

Emanuel Barbosa | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

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