VELADIMIR MORENO: Ação coordenada contra o desacerto

. Publicado em Opinião

Até hoje, organizações como o Fundo Monetário Internacional e o respetivo (irmão mais velho) Banco Mundial, daquilo que têm feito à suposta ordem do desenvolvimento, é acumular dívidas desses membros no contexto dos milhões cobrados em taxas absurdas, efeito colateral até ao presente, fugindo sempre de aderir a reformas


 

Com novas adesões ao clube do BRICS (Cabo Verde deve despertar para esta genuína oportunidade), pela certa elaborar novos olhares sobre a economia global, valores acrescidos ao maior desafio da coordenação contra o desacerto atual que impera no planeta dos números financeiros, no mais recente horizonte, apresenta convite aberto a outras nações.

Foi determinante o encontro realizado em Fortaleza (terminou em Brasília), com  decisões corajosas, inovadoras, realizáveis a curto prazo contra o marasmo económico, incertezas e a quantidade infinita de mentiras projetadas na comunicação mundial referente ao suposto "relançamento" da economia ainda nos moldes tão a gosto dos mestres da desgraça alheia. No entanto, a imprensa mundial no seu boicote a esta cimeira, mostrou como anda comprometida com a liberdade de informar.

Contudo, não puderam esconder ao longo de semanas atrás, opiniões de alguns responsáveis alemães vindas a público manifestar o inesperado sobre a mais forte economia europeia. Na Alemanha, a surpresa perturba mercados e a própria sociedade. O Departamento Federal de Estatística (DIW), revelou que o PIB alemão do segundo trimestre desceu a 0,2% e, pelas palavras do seu diretor económico em Berlim, Marcel Fratzscher, "A economia alemã ficou subitamente doente". Dá finalmente para entender tanta contradição.

A confirmação deste início subjacente ao problema que alguns teimam em não desejar ver, confirma-se nas palavras de outro responsável, este, presidente da Câmara do Comércio e Indústria (DIHK), Eric Schweitzer, afirmando deliberadamente que um dos "problemas da Alemanha tem sido a descida acentuada do investimento no setor público a 3% do PIB, cerca de 80 mil milhões de euros/ano". Enquanto vizinhos como a Holanda, Áustria e Dinamarca gastam nos respetivos setores públicos, entre 17 a 27% do PIB.

Por isso, não foi estranho na estratégia do BRICS chamarem à cimeira de "Crescimento Inclusivo: Soluções Sustentáveis". Desde 2009, esta avaliação tem sido feita apesar das estratégias destrutivas, contraproducente na ideia principal do mundo capitalizado, do jeito que anda quando a organização destes países, avaliando condições, conhecendo vantagens e argumentos, sabe qual o caminho a propor à comunidade internacional partindo de projetos anteriores, da colaboração comum ao longo de 30 áreas de investimento, conseguiram dar mostras de alternativas sérias.

Deste modo, chega a parte final da ideia com a criação da opção financeira certamente mais válida ao mundo, totalmente inovadora. A criação do "Novo Banco do Desenvolvimento" (NBD), junto a uma outra novidade: o "Ajuste do Contingente de Reservas" (CRA), mantendo capital superior a 150 mil milhões de euros, como fundo de reserva, capaz de reformar, lutar contra fraudes e fugas (fogem anualmente dos países mais pobres um total de 700 mil milhões de euros, informa a Agência France Press), desejavelmente credível.

O projeto, ainda procura englobar oportunidades consideravelmente douradas ao aproximar soluções contra estratégias paralisantes mantidas em prática pelos norte-americanos e União Europeia, sobre o tão falado "Tratado Norte-Sul", acorrentado a interesses, resguardo de certas elites, credoras do habitual egoísmo a determinados domínios.

Os países emergentes da zona económica, representam estes 40% do PIB mundial, uma fatia importante na arquitetura financeira internacional, agora com caminho aberto para cobrir muitas das necessidades nunca suportadas seriamente nem pelos processos elaborados do FMI, quer do BM (Banco Mundial), respostas alguma vez positivas à política global pela exportação, mais consumo dos mercados de referidos países.

Quatro (4) questões ficaram detalhadas, discutidas com clareza nesta reunião do BRICS, sendo a 1ª Sobre a governação das instituições com maior transparência; 2ª Capacidade em canalizar recursos rápidos ao financiamento tendo em vista projetos definidos ao desenvolvimento; 3ª Alcançar uma clara estabilidade financeira como bem público global, criando maior autonomia aos Estados, mais verdade nas propostas, mas também melhor vontade contributiva; 4ª Relacionar dados, troca de informação, dar combate a fraudes e economias paralelas.

Aqui, resta aos responsáveis do BRICS e a novos aderentes, desejarem juntar forças neste recente conceito, perderem tiques ou preconceitos da confrontação que toda esta leva terá no impacto de esquemas partilhados nas velhas ideias controladoras da vida económica e social dos países.

Até hoje, organizações como o Fundo Monetário Internacional e o respetivo (irmão mais velho) Banco Mundial, daquilo que têm feito à suposta ordem do desenvolvimento, é acumular dívidas desses membros no contexto dos milhões cobrados em taxas absurdas, efeito colateral até ao presente, fugindo sempre de aderir a reformas. Mais adiante, ao instante, certezas existenciais anunciam que Washington não dormirá bem ao saber que no mundo, o BRICS, irá trazer alguma mudança necessária. Na mesma, nada pode ficar.

Veladimir Moreno | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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