ILDO FORTES: Na força do amor

. Publicado em Opinião

Do amor é o que o mundo presente, com toda as suas ameaças e dificuldades, mais precisa. A beleza que salvará o mundo é o amor! Uma Igreja solidária e próxima é o que se nos pede hoje, como no-lo indica o Papa: uma Igreja «em saída» "desejo uma Igreja pobre para os pobres; uma Igreja pobre à maneira de Jesus Cristo, servo e humilde que deu a vida por amor até à morte


 

Carta Pastoral para o ano 2014-15

Na força do Amor

Queridos irmãos e irmãs!

Depois do belíssimo ano da fé em que toda a Igreja procurou conhecer e aprofundar os conteúdos da fé cristã; após o ano transacto em que a nossa Igreja diocesana fez não só por descobrir as razões da sua esperança mas também levá-la aos que a perderam ou ainda não a encontraram, estamos agora prestes e prontos para aceitar o desafio de testemunhar o amor que nos vem de Deus - Na força do Amor vamos viver este novo ano pastoral. Ele será o último do triénio de programação pastoral particularmente centrado na vivência das três virtudes teologais: Alegria de crer, vivendo na esperança, para anunciar o Evangelho do amor.

Como o Papa Francisco na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, também afirmamos que «Amamos este magnífico planeta, onde Deus nos colocou, e amamos a humanidade que o habita, com todos os seus dramas e cansaços, com os seus anseios e esperanças, com os seus valores e fragilidades. A terra é a nossa casa comum, e todos somos irmãos» (EG 183). Nós, como Igreja de Cristo, somos chamados a destacar-nos, sempre, na sociedade, pelo testemunho do amor, a nossa marca característica que nos assemelha com Deus.

Do amor é o que o mundo presente, com toda as suas ameaças e dificuldades, mais precisa. A beleza que salvará o mundo é o amor! Uma Igreja solidária e próxima é o que se nos pede hoje, como no-lo indica o Papa: uma Igreja «em saída» (cf. EG 20); "desejo uma Igreja pobre para os pobres (EG 198)"; uma Igreja pobre à maneira de Jesus Cristo, servo e humilde que deu a vida por amor até à morte. Só uma Igreja assim é credível no meio desta sociedade tão secularizada e que, consciente ou não, se afasta da fonte da Vida. O lugar dos discípulos de Jesus Cristo é precisamente no meio deste mundo. Uma presença que se torne fraterna, uma presença de quem se encontra disponível para acompanhar com amor.

A Gaudium et Spes, um dos mais belos documentos do Concílio Vaticano II começa assim: as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres… são também as alegrias e as tristezas dos discípulos de Cristo. (Cf. GS 1).

Cientes das nossas fraquezas e hesitações, sentimos que tal forma de amar é exigente e nos ultrapassa. Sentimos o apelo, mas também as dificuldades e a fragilidade das nossas forças. No entanto, vocacionados a sermos, no mundo, força do amor, sentimos, ao mesmo tempo, que esse amor vem de Deus, que é o próprio Deus que nos impele à missão. Deus é amor, como diz o Apóstolo, e nós somos a imagem actualizada e viva de Deus Trindade, Mistério de Amor.

É o Senhor quem nos envia hoje, com as mesmas palavras e com o mesmo ênfase com que Ele o fez aos seus discípulos: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Nisto conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros (Jo 13, 34-35).

Ninguém se considere ou se sinta dispensado desta missão de amar e cuidar, sobretudo dos mais pobres. Nós, os pastores, sejamos os primeiros a avançar e a estimular as nossas comunidades. Os diáconos, por sua vez, e em espírito de diaconia cristã, vejam neste ano uma boa oportunidade para testemunharem o seu específico ministério de amor e serviço. Os religiosos e religiosas, sobretudo neste ano dedicado à vida consagrada, mostrem a maior beleza da sua consagração fazendo da sua vida um sinal visível da caridade de Cristo, pobre e humilde servidor. Os leigos, homens e mulheres das nossas comunidades, os jovens em particular, experimentem vivamente o saborear a beleza do amor oblativo e incondicional.

Num tempo em que tanto se discursa sobre o amor (ou não), em que a palavra amor corre o risco de ser uma realidade banal pelo uso abusivo e distorcido que dele se faz, importa lembrar que «o amor autêntico é sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro não por necessidade ou vaidade, mas porque ele é belo, independentemente da sua aparência: “Do amor, pelo qual uma pessoa é agradável a outra, depende que lhe dê algo de graça”. Quando amado, o pobre “é estimado como de alto valor”, e isto diferencia a autêntica opção pelos pobres de qualquer ideologia, de qualquer tentativa de utilizar os pobres ao serviço de interesses pessoais ou políticos» (EG 199).

Encorajados na força do amor, vamos! Saiamos nem que seja ao entardecer das circunstâncias ao encontro daqueles que Deus coloca na nossa vida e na nossa cidade para amarmos. Maria, a Mãe do Belo Amor, nos acompanhe com ternura nesta missão!

Mindelo, 8 de Setembro de 2014 – Festa da Natividade da Virgem Santa Maria

†Ildo Fortes | Bispo de Mindelo

 

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