ORLANDO BALLA: Capital da Cultura elevou autoestima dos bravenses

. Publicado em Opinião

A Brava é, hoje, seguramente, mais conhecida no país e no mundo e, só temos razões para continuar a resgatar a nossa veia identitária e apostar nos nossos valores culturais

 


Neste acto, que marca o encerramento de Nova Sintra como primeira Capital Cabo-verdiana da Cultura, não podia deixar de manifestar a nossa gratidão e júbilo pela confiança depositada na nossa ilha, que assumiu com toda a dignidade o estatuto, que agora termina e que será seguramente assumido com responsabilidade por outra cidade deste nosso Cabo Verde, desta feita com a participação, para além do Ministério da Cultura, da Associação Nacional dos Municípios e da Rede Parlamentar para o Ambiente e também dos cidadãos, o que confere à eleição da próxima Capital uma responsabilidade ainda maior.


Creia Senhor Ministro, que a distinção feita no ano passado elevou a autoestima dos bravenses e reforçou o nosso estatuto de uma das mais importantes referências culturais do arquipélago. A Brava é, hoje, seguramente, mais conhecida no país e no mundo e, só temos razões para continuar a resgatar a nossa veia identitária e apostar nos nossos valores culturais. A nossa afirmação enquanto destino turístico dependerá em larga medida da nossa aposta na nossa rica história e referências culturais, como foi a pesca da baleia e a emigração para os Estados Unidos da América ou a inigualável contribuição dada pelo poeta-maior, Eugénio Tavares, para a afirmação da cabo-verdianidade.   


Se é verdade, que foram realizados investimentos importantes pelo Ministério da Cultura, nomeadamente nas benfeitorias no Auditório Municipal ou no apoio aos artistas locais, não é menos verdade, que há ainda um longo caminho a percorrer em matéria dos necessários e estratégicos investimentos que o sector carece, numa ilha que pode dar muito a Cabo Verde, contribuindo de igual modo, para a afirmação dos homens da cultura, para a melhoria da qualidade de vida das nossas comunidades locais e para a afirmação da ilha no contexto nacional e internacional.


A afirmação da Brava deverá sempre passar pela promoção de uma indústria da cultura, com forte participação da nossa diáspora e que esteja ao serviço de um turismo de alto valor acrescentado. Qualquer política pública dirigida à Brava deve ter a cultura como prioridade, porque potenciadora do desenvolvimento de outros sectores. Trata-se de uma aposta que deve contar com uma forte complementaridade do poder central e local e activa participação da sociedade civil residente e na emigração, para não falar do sector privado e da cooperação internacional.


Estou seguro que o estatuto atribuído a Nova Sintra como primeira capital cabo-verdiana da Cultura será um marco importante para o futuro da ilha, que não deixará de assumir as suas responsabilidades na preservação do património, na promoção dos valores culturais, que constituem a veia identitária da ilha de Eugénio Tavares, sem dúvida, uma referência obrigatória e uma constante fonte de inspiração para as novas gerações.


NOTA: este texto é adaptação do discurso do presidente da Câmara Municipal da Brava, no encerramento das atividades que marcaram a ilha Brava como sendo a capital nacional da Cultura.


Orlando da Luz Vieira Balla | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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