CARLOS SÁ NOGUEIRA: “Sinceridade é um ato de leviandade”

. Publicado em Opinião

Paulino Vieira é, para mim e, seguramente, para muitos cabo-verdianos, um verdadeiro astro e trovador das grandes melodias que retratam a vida e a condição humana dos crioulos destas ilhas maravilhosas

 


"(...)sinceridade é um ato de leviandade e honestidade é um ato de loucura", afiança Paulino Vieira, em documentário sobre a sua vida e obra  de autoria do seu conterrâneo, Agostinho Santos, apresentado esta quarta-feira, 22, na cidade da Praia.


É verdade, subscrevo ipsis verbis o que diz o Paulino Vieira. A sua forma de ser e de estar na vida, tem levado a que muita gente tenha-o subestimado e o relegado para o segundo plano. Paulino Vieira é, para mim e, seguramente, para muitos cabo-verdianos, um verdadeiro astro e trovador das grandes melodias que retratam a vida e a condição humana dos crioulos destas ilhas maravilhosas. Compôs e musicou Cabo Verde. Levou para música a estrela cintilante que iluminou as ilhas deste arquipélago. Sabe muito bem traduzir para a música, tudo o que lhe vem na alma.


Paulino Vieira, à par de tantos outros, como a Cesária Évora, o Bana, o Ildo Lobo, Eugénio Tavares, Anu Nobo, Pântera, Zé Henrique, Manuel de Novas, etc, etc, tem cantado Cabo Verde e maravilhado o seu povo, nos quatro cantos do mundo. O maravilhoso mundo novo da música cabo-verdiana tem, para mim, a chancela deste filho da ilha de Chiquinho.  
Portanto, merece toda a nossa vénia e respeito. É, para mim, um Homem com H grande. Como diria uma entrevistada, a propósito do lançamento deste documentário: "se houver alguma coisa a fazer por ele (Paulino Vieira), então, que se façam agora e não deixarem para quando ele morrer". Ora esta frase é duma dimensão semântica tão grande, que, às vezes, ultrapassa a compreensão do intelecto dos incautos. Tornou-se hábito, com grande dose de hipocrisia, quando perdemos grandes astros deste País, em diferentes áreas da cultura, aparecerem governantes nossos e gentes com responsabilidades políticas, a enaltecer a vida e a obra do(a) extinto(a). Muitas vezes em vida, a(o) extinta(o) era objeto de estigma social e, diria mesmo, de abandono como é, de resto, o caso de Paulino Vieira.


Deixemos de hipocrisia e apoiemos mais com carinho e amor, os nossos artistas!


Carlos Sá Nogueira | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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