EMANUEL BARBOSA: Intervenção da polícia no bairro 6 de maio: ostensividade vs proporcionalidade

. Publicado em Opinião

Mas a questão que me leva a escrever este post é outra. É que me chocou bastante ver criancinhas entre os 6 e os 10 anos, ao saírem do bairro, logo pela manhã, à caminho da escola, serem interceptadas por agentes policiais que as revistavam, abrindo as suas mochilas de materiais escolares, sem nenhum cuidado especial por se estar a tratar com um segmento peculiar

 


Ontem, presenciei, pela televisão, o cerco, logo pela manhã, ao Bairro 6 de Maio cujos moradores na sua maioria são cabo-verdianos. Em regra, as intervenções junto destes ditos bairros problemáticos são feitas com excessiva ostensividade por parte da força policial.


Não colocamos em causa o direito da polícia de ajustar os meios e a forma da sua intervenção, pois acreditamos que o faz na posse de elementos que a permita não pecar nem por defeito, nem por excesso, mas sim usar da proporcionalidade adequada que a situação requer. Embora, sabemos que, aqui e acolá, tem havido alguns excessos.


Crianças revistadas e a ausência da nossa embaixada


Mas a questão que me leva a escrever este post é outra. É que me chocou bastante ver criancinhas entre os 6 e os 10 anos, ao saírem do bairro, logo pela manhã, à caminho da escola, serem interceptadas por agentes policiais que as revistavam, abrindo as suas mochilas de materiais escolares, sem nenhum cuidado especial por se estar a tratar com um segmento peculiar.


Confesso que chocou-me imenso. Questiono da sua legalidade, pelo que apelava aqui a opinião dos juristas;


Questiono, igualmente, quanto aos possíveis danos de foro psicológico e de eventuais medidas que se podia tomar para as mitigar e aqui a opinião que conta são dos psicólogos e gostaríamos, também, de a ter.


Fica deste modo esta minha indignação pela forma como as crianças foram abordadas e também, uma vez mais, pela ausência de acompanhamento destes casos por parte da nossa embaixada. Porque acompanhar não quer dizer que estamos contra o trabalho da polícia e muito menos que caucionamos alguns actos reprováveis de uma parte minoritária da nossa comunidade, mas sim que estamos atentos, que exigimos que a nossa comunidade seja tratada com dignidade e que não seja a parte tratada e tomada como o todo. Apenas isso!


Emanuel Barbosa | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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