DOM ILDO FORTES: Diário de Roma – 3.º dia da visita Ad Limina

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A unidade e a catolicidade da qual a Igreja foi dotada desde o princípio é um valor e um tesouro do alto que devemos preservar e fomentar; pois, reside aí a razão de uma profunda alegria

 


O dia em Roma começou hoje (quarta-feira) como não podia ser melhor! Missa às 7h na Cripta da Basílica de S. Pedro, bem junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, aquele especial Apóstolo, a quem Jesus quis confiar a Sua Igreja; a “pedra” firme sobre a qual Ele assentou a Sua Igreja, que neste mundo é sinal ou sacramento de salvação, instrumento de unidade de todo o género humano.


A unidade e a catolicidade da qual a Igreja foi dotada desde o princípio é um valor e um tesouro do alto que devemos preservar e fomentar; pois, reside aí a razão de uma profunda alegria.


Por coincidência, ou graça de Deus, dois dos nossos bispos celebram hoje o seu aniversário de ordenação episcopal: Monsenhor Jean-Noel Diouf (Senegal), que presidiu à celebração desta manhã, fez 25 anos e Dom José Lampra Cá (Guiné-Bissau), 3 anos. Escusado será falar da emoção que não só eles, mas todos nós vivemos. Nesta celebração, tivemos a alegria de contar também com a presença do Pe. Paulo Borges (Paróquia de São Vicente) que está em Roma para finalizar o seu doutoramento em teologia dogmática.


A nossa manhã decorreu praticamente na Propaganda Fide (Congregação Pontifícia para a Evangelização). Este organismo da Santa Sé, tem a responsabilidade de acompanhar tudo o que diz respeito às Igrejas de missão, como é o caso das dioceses da nossa Conferência Episcopal. Desde o processo de nomeação dos bispos destas regiões, criação de dioceses, formação do clero, catequistas e missionários, subsídios para estas Igrejas pobres (que embora pouco, cada vez diminui), etc.


Preside a esta Congregação da Cúria Romana, o Cardeal Filoni que conduziu grande parte da conversa desta manhã. Abordaram-se temas como a missão e evangelização no contexto da nossa África, relação com o Islão sobretudo nas Igrejas de países onde os cristãos são uma minoria (Senegal e Guiné-Bissau; a Mauritânia, essa é totalmente muçulmana porque os cidadãos do país estão proibidos por lei de se converterem a outra religião. Os cristãos dessa diocese são apenas os estrangeiros que lá vivem ou trabalham); também falou-se da importância da formação que se exige boa ou elevada para os sacerdotes, o acompanhamento dos mesmos, a formação teológica de catequistas e religiosos, projectos da conferência episcopal, etc.


A tarde, mais descontraída, contou com uma longa entrevista dos bispos lusófonos (Cabo Verde e Guiné-Bissau) nos estúdios da Rádio Vaticana; esta foi uma conversa, amena e simpática, dirigida pelos jornalistas Dulce Évora (de Cabo Verde) e Filomeno (da Guiné-Bissau). Falou-se da Visita ad Limina, do acolhimento do Papa Francisco e de outros assuntos como a paz e a violência, o papel da Igreja na reconciliação e na ajuda para superar conflitos sociais, seu lugar na vida política, o perigo do Ébola e o que têm feito as Igrejas para ajudar a travar esta epidemia, etc.


Amanhã (quinta-feira) será outro dia, com visitas a quatro Congregações/ Conselhos Pontifícios; agora com chuva a acompanhar-nos! Saudações e bênçãos especiais de Roma, para todos!

 


Ildo Fortes | Bispo de Mindelo

 

 

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