NELSON BRITO: Mau ano agrícola. Irá o governo socorrer as populações?

. Publicado em Opinião


 

Os 18 mil contos que o governo disponibiliza para todo o país fazer face à emergência que o mau ano agrícola trouxe, não dão para quase nada

 


A ilha de São Nicolau atravessa uma fase muito difícil. Praticamente não choveu e o ano agrícola é mau, muito mau mesmo, nos dois municípios.
A agricultura e a pecuária costumam ser o ganha-pão e o sustento de milhares de saniculaenses, mas a exemplo de todo o país, a chuva foi escassa em São Nicolau e há que encontrar soluções para as dificuldades extremas que esta emergência trás.


A agravar a situação convém lembrar que em 2013, que foi um bom ano agrícola, São Nicolau já tinha uma alta taxa de desemprego, sendo de 17,5% no Concelho do Tarrafal e de 23,7% na Ribeira Brava, o município com a mais alta taxa de desemprego do país. De 2013 para cá a situação só tem piorado.


Neste cenário trágico, o governo da República de Cabo Verde é chamado a intervir, hoje e não em 2015, e de forma contundente e decisiva, não com minguados.


Os 18 mil contos que o governo disponibiliza para todo o país fazer face à emergência que o mau ano agrícola trouxe, não dão para quase nada.
Se fizermos umas contas simples, veremos que Cabo Verde tem 22 Municípios e que 18.000 a dividir por 22 dá cerca de 800 contos para cada município. E 800 contos para municípios com 3,5, 10 Vales, com populações que vivem maioritariamente da agricultura e pecuária, só pode ser brincadeira.


O governo parece não perceber o que significa uma emergência. As populações necessitam de assistência a sério e desde já.


É uma questão de opções, pois sabemos que o governo quando quer, gasta 164 mil contos num só ano em viaturas ou organiza celebrações do 5 de Julho durante o ano todo e gastando milhões de escudos.


Ou então se quisermos olhar para a proposta de orçamento de estado para 2015, poderemos constatar opções do governo como 150 mil contos para publicidade e propaganda, 718 mil contos para viagens ou ainda 1 milhão e 200 mil contos para outros serviços não especificados.


Muito dinheiro mesmo, quando o governo quer. Mas quando o governo não quer, são só 18 mil contos para uma emergência nacional.


Cerca de 41.800 cabo-verdianos trabalham na agricultura e na criação de gado. Juntando-lhes os seus familiares e dependentes, teremos uma noção de quantos cabo-verdianos atravessam uma situação muito difícil, com gente a passar fome, gente sem trabalho e sem rendimentos. A população da zona leste da ilha já até apresentou um abaixo-assinado sobre o seu desespero.


Por isso tudo, apela-se ao governo, para ouvir as populações, os deputados, as associações e as Câmaras Municipais e a ter consciência, e assim, agir já, de forma forte e decisiva, ajudando o nosso povo, nesta situação de emergência.

 

Nelson Brito | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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