A CRISE NACIONAL E O DESTAQUE DA RÉVEILLON NO MINDELO

. Publicado em Opinião

A ilha do Monte Cara já é conhecida como a ilha de "passa sáb morre ca nada"

Neste fim de ano de 2014, a Câmara Municipal de São Vicente, à semelhança do ano passado prometeu ao povo Mindelense uma festa singular.

Só que desta feita, não passou de promessas. Pois já estamos no fim do segundo dia de Janeiro de 2015 e o grupo "Calcinha Preta" ainda está por chegar à ilha de São Vicente.

Uma situação que exige uma melhor explicação por parte dos responsáveis camarários desta ilha que já foi o centro da intelectualidade social.

Entende-se que de acordo com os peritos políticos, ligados à actual CMSV, a oferta de espectáculos musicais atrai multidões e conquista meio mundo, politicamente.

Nesta óptica de pensamentos e imaginações, os destacados políticos que gerem a Câmara Municipal de São Vicente decidiram que prometendo um espectáculo de Réveillon, com "Calcinha Preta" estariam a convencer o povo desta ilha e vizinhança, de que estão trabalhando árduamente para o desenvolvimento da ilha e que querem que os mindelenses, apesar da crise econômica, festejam sem limites e com pompa e circunstâncias. Porque merecem espectáculos; trabalho é do outro rosário.

Senão, vejamos: atribuiu-se tolerância de ponto, a partir das 12:00 hrs. do dia 31 de dezembro, feriado oficial no dia 1 de janeiro, seguido de mais um dia de tolerância de ponto, no dia 2 de janeiro, Sexta Feira, para completar uma semana de apenas 24 horas de trabalho. (em Mindelo, trabalhou-se apenas Segunda, Terça, e Meio Dia de Quarta Feira). Um país maravilha.

Além de ser, supostamente, um atitude de "grande visão político/administrativo", demonstra o quão desgraçado são os níveis profissionais dos que foram eleitos para gerir os bens do povo destas ilhas.

Para que entendamos melhor as atitudes dos governantes, nacionais e regionais, convêm salientar de que, na cidade Capital, por cada jogo que a nossa seleção tiver que disputar no Estádio Nacional, é oficialmente proclamado tolerância de ponto, a partir das 12:00 hrs. do dia do jogo, "para que todos desloquem ao Estádio para apoiar a nossa. Seleção". Símbolo do bem estar de um pais pobre e que vive de esmolas.

Numa ilha e país de parcos recursos, vivendo, minuciosamente, de esmolas, estrangeiras e dos emigrantes, esperava-se uma atitude diferente e de árduo trabalho, à procura de uma solução para a crise crônica existente nestas ilhas do Atlântico.

Até que São Vicente já foi, outrora, o motor da economia nacional, através da movimentação de barcos que escalavam o seu Porto Grande, para procederem ao respectivo abastecimento e descarga de utensílios de primeira necessidades.

Nesses longínquos tempos de bonança na ilha do Porto Grande era normal a expressão "passa sáb morre ca nada", mas neste tempos que atravessamos não podemos de forma alguma aceitar que seja essa mentalidade que um pequeno grupo de pessoas queiram incutir na mente deste fragilizado povo saovicentino.

Com o andar desta carruagem, brevemente estaremos num país de infelizes e condenados à fome.

Se grupos de cidadãos, em cada ilha, não forem capazes de criar condições de salvaguardar as suas ilhas, em 2016, acabaremos brevemente por ficar à mercê do Narco Tráfego, como aconteceu com a Guine Bissau.

A Voz do Povo Sofredor.

 


Carlos Fortes Lopes | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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