OS MALES DO SECTOR MARÍTIMO DE CABO VERDE

. Publicado em Opinião

 

O naufrágio e afundamento do navio Vicente já provocou mais vitimas mortais do que o Vulcão de Fogo em toda a sua história de erupções, desde 1799, até 2014 (decorridos já 215 anos)

De acordo com depoimentos de membros da tripulação e testemunhas localizadas no cais, na hora da partida, o navio quase afundou no cais da Praia, durante a manobra de saída do cais.

Existem, de cujo, testemunhas oculares que especulam até de que o Capitão insistiu tanto, de que não havia anormalidade nenhum no carregamento, ignorando a tudo e todos, como alguém que se pretendia suicidar-se e levar com ele um grupo de pessoas.

O naufrágio do navio Vicente acabou por comprovar, uma vez mais, de que o nosso sector marítimo e portuário nacional estão mal geridos e à deriva.

Nesta altura do declínio da erupção vulcânica na ilha onde acabou de acontecer o naufrágio, tudo indica que as crises da ilha triplicaram, atingindo males sociais e calamidades como a erupção, a seca e o naufrágio, devastando a população do país e a da diáspora.

Nesta óptica estamos de acordo de que a ilha do Fogo acaba de se situar numa posição calamitosa e vulnerável, merecendo uma atenção especial, para a recuperação econômica e social, de forma a ser capaz de restabelecer a moral dos seus abnegados trabalhadores e valorosos agentes económicos.

Enquanto isso, o sector da marinha mercante e serviços portuários de Cabo Verde demonstra sinais de precariedade, aclamando por medidas urgentes.

Conforme depoimento de pessoas ligadas ao sector, o problema desse sector da marinha mercante cabo-verdiana é fruto da incapacidade profissional dos responsáveis do sector.

Pois nunca em Cabo Verde, houve um governante que se preocupasse a ponto de pressionar os profissionais do sector, para mudarem as suas atitudes de desleixo profissional e, resolver as graves anomalias que estão minando esse sector crucial para o desenvolvimento do país.

É verdade que já se conseguiu algumas mudanças estruturais e logísticas, mas infelizmente os resultados ainda não são suficientes para impedir que coisas muito graves, como naufrágios e desvios, aconteçam.

Há quem acredita que futuramente poder-se-á assistir a algumas mudanças no sector mas que para que isso aconteça é necessário uma mão de ferro, com determinação político/profissional para mudar radicalmente o sector de Marinha e Portos.

Estamos convictos de que a Sra. Ministra não funciona apenas de acordo com as exigências das políticas internas do seu partido, o que a difere, positivamente, dos outros.

Um Ministro do Governo não deve perder o seu tempo em tentar fazer propagandas políticas na comunicação social; procurando tempo e discernimento para encontrar soluções para incompetências dos recursos humanos do seu ministério.

O Ministério das Infra-Estruturas e Economia Marítima está enfrentando graves problemas, mas, pouco a pouco vai resolvendo-os e esperamos que este seja o próximo a ser resolvido, para o bem da nação cabo-verdiana.

Essas situações exigem muita seriedade e determinação, e estamos convictos de que a Ministra, incansavelmente será capaz de as resolver.

Sei e entendo de que o sofrimento dos familiares das vitimas não têm paralelo, e espero que as responsabilidades sejam assacadas, doa a quem doer.

Sabemos que a Sra. Ministra tem trabalhado com a administração que encontrou sem controle nenhum, com vista à sua total reestruturação, e estamos convictos de que; se o partidarismo não falar mais alto, tudo fará para pôr ordens nessa casa ainda desorganizada, em alguns sectores.

A questão do momento é: aonde pára as responsabilidades dos profissionais deste sector? Quem controla quem? Que tipo de Armadores temos? Quem são os responsáveis das agencias marítimas do país? De que males sofre o sector da marinha e portos de Cabo Verde. Onde situa a Enapor nesta equação? Que responsabilidades devem ser assacadas à Polícia Marítima Nacional?

O Governo terá que ser capaz de recolher dados suficientes que dêem respostas a estas perguntas e clarifique o caminho a seguir a partir de agora.

Os processos de despacho, de licenciamento, de inspeção dos navios terá que ser atrativo é isento de falcatruas e politiquices.

A comunidade técnica deste país precisa ser responsabilizada e chamada a responder pelos danos, pessoais, materiais e monetários que todos esses erros estão causando aos cofres do Estado.

Desde que qualquer um que estiver ligado ao partido no poder, passou a ter credencial de Armador, a situação decadente desse sector aumentou de velocidades e tudo indica que só uma mão de ferro será capaz de por ordens nessa casa.

Toda a sociedade civil nacional precisa começar a ser mais exigente e mudar o estado das coisas, para o bem de todos nós que queremos o bem do país e não pessoal, como a maioria dos nossos políticos/governantes.

Nesta etapa em que nos encontramos, é necessário que criemos condições apropriadas para materializarmos as concessões dos transportes inter-ilhas, rever o quadro legal, o regulamento e decidir na constituição da equipa de especialistas que deverá remodelar a AMP.

Há que investir no sector e escolher pessoas certas para o dirigir. Há que investir no sector da fiscalização, assacando responsabilidades na mais pequena anomalia ou transgressão das normas institucionais.

Precisamos de mulheres e homens, chefes, diretores e responsáveis com carácter, ética, moral e nível profissionais.

Os exemplos de pessoas que enveredam pelas ilegalidades são muitas e há que criar condições institucionais para um combate acérrimo a estas anomalias.

Tanto esses como os chefes máximos e os próprios ministros andam a prejudicar o Estado de Cabo Verde.

Num país pobre como o nosso, em que ninguém reconhece os erros de governação, procurando sempre defender a cor política, os prejuízos são incalculáveis e desastrosos para a soberania do Estado de Direito.


A Voz do Povo Sofredor

 

 

Carlos Fortes Lopes | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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