A FORÇA DA HIPOCRESIA POLÍTICA NACIONAL

. Publicado em Opinião

 

Quando o Primeiro Ministro de Cabo Verde abre a boca e diz que "há que existir um forte engajamento dos municípios no sentido da criação de fatores de competitividade e a promoção de oportunidade às pessoas", deve ter sofrido algum momento de epilepsia cerebral

Pois, um governo que estrangula tanto os municípios como os munícipes durante seis anos, utilizando os montantes do IUR e do IVA nos projetos do próprio governo, quando pronuncia a genialidade econômica social, como se verifica aqui, só deve estar, uma vez mais, a brincar com a mente deste pobre povo sofredor. 

Se o governo do JMN fosse um governo sério teria retribuído aos Municípios e aos Contribuintes, o que o governo lhes vem devendo desde 2008.

Com a retribuição desses montantes, o governo estaria "com certeza a aproveitar todas as riquezas do país, acelerando o ritmo de crescimento econômico e proporcionando maior desenvolvimento social" como demagogicamente diz o Primeiro Ministro de Cabo Verde, durante mais este discurso circunstancial.

É necessário que este e qualquer outro governo deste país entenda que quando maior for o poder de compra dos cidadãos e menor for o poderio governamental e político, maior é a robustez econômica do país.

Um país onde os jovens (força viva da sociedade) encontram-se bloqueados e sem trabalho, portanto sem poder de compra, não podemos esperar que a economia cresça ou mesmo que haja paz social e ordem pública.

Os sucessivos governos cabo-verdianos têm falhado drasticamente, no setor do emprego o que vem ditando a evolução da insegurança urbana e a instalação do poderio narcotraficante já existente no país.

Contrariamente ao que diz o Primeiro Ministro; sem receberem as suas respetivas contribuições municipais, as autarquias locais terão, sempre, dificuldades em criar condições econômicas para a instalação de centros de promoção de micro e pequenas empresas, atividades de agronegócio e microcrédito, etc., etc.".

Para que mudemos desse rumo desastroso em que nos encontramos, este Governo terá, obrigatoriamente que abrir o jogo e acabar com a monopolização das economias nacionais, juntando-se às Câmaras Municipais, para pensarem na reabilitação dos milhares de casas em estado deplorável de habitação e criar condições para incentivar o setor privado a investir nas suas empresas, de forma a empregar um maior número dos cerca de 30% da população desempregada e ou sub empregada.

As atividades para criar condições de gerar mais dinâmicas de crescimento económico, mais empregos e mais rendimento para as famílias só serão possíveis se o Governo Central retribuir as contribuições aos seus respetivos donos.

Sem as devidas e respetivas contribuições econômicas, os municípios continuarão impotentes e incapazes de criar melhores condições de vida para os seus munícipes.

Com o nível elevado das dívidas nacionais (115% do PIB) e a aproximação das já programadas comemoração dos 40 anos de independência, o governo estará duplamente violando os frágeis cofres do Estado de Cabo Verde em vias do drástico mergulho no sistema internacional de país tecnicamente em estado de Banca Rota.

Há que ter mais respeito para com este povo sofredor, pois, nunca será possível, nem admissível, governar este país apenas com estes discursos hipócritas e desrespeitadores.

Aliás, esses discursos já desgastaram as populações, durante estes quase quarenta anos de independência, sem contar com os elevados gastos desnecessários (incluindo desvios e derrapagens), que colocam Cabo Verde numa situação lastimosa e preocupante.

Já a nível do Executivo, está bem patente o total desnorteamento dos ministros, que já acusam cansaço, promovendo a indesejada instabilidade política nacional.

 

 

A Voz do Povo Sofredor

 

 

 

Carlos Fortes Lopes | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

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