CARLOS FORTES LOPES: A incompetência negocial dos dirigentes caboverdianos

. Publicado em Opinião

Como já é do conhecimento de todos, Cabo Verde está atualmente a atravessar uma onda de crise econômica, social e ambiental ao mais alto nível

 


Aliás, uma situação eminente que foi agravada pela má gerência das fracas economias disponíveis para a reconstrução infra estrutural do país.

Sendo um país, até agora, quase nulo em matéria de produção de produtos para o consumo nacional e ou exportação, a nossa economia nacional continua dependendo das ajudas externas e remessas periódicas dos nossos emigrantes.

Entretanto, com a escaces das ajudas internacionais floresce a incerteza do futuro deste pobre país que continua sobrevivendo na dependência dos cofres do estado, tornando-se preocupante a insensibilidade política e administrativa dos atuais dirigentes que continuam, teimosamente, a achar que Cabo Verde está num bom caminho.

Quanto a mim, a declaração do "status" de País de Rendimento Médio foi precipitada e colocou-nos numa situação frágil e altamente desprotegida.

É certo que Portugal, através da União Europeia, continua, politicamente, firme no comprometimento estratégico de ajudas pontuais com esta ex colônia, devido à nossa posição estratégica no Oceano Atlântico, entre a Europa, África, e das Américas.

É evidente que Cabo Verde deveria estar a desfrutar de um outro estatuto, de privilegiado, caso soubesse negociar com os países que dependem em grande parte da estabilidade da nossa zona marítima e econômica.

Lamentavelmente, Cabo Verde continua sendo um "puppit" das duas potências econômicas ao norte e ao sul do Atlântico.

A nossa extensa zona marítima e econômica concede-nos o poderio de negociação com as duas potências econômicas já referidas e um possível domínio da inclusiva zona da CEDEAO, mas continuamos impotentes e incompetentes para saber desfrutar dessas potencialidade singulares que a nossa localização geográfica nos proporciona.

É preciso uma nova dinâmica política e de negociações paralelas entre o nosso país e as duas potências mundiais para que possamos assegurar a nossa estabilidade econômica, social e ambiental, para o bem da soberania nacional.

Brevemente, as receitas do setor do Turismo, da ASA e da Emigração, deixarão de ter o suporte das ajudas internacionais e entraremos numa decadência social e política desastrosa para o nosso vulnerável torrão natal.

As constantes justificações de que não temos muitos argumentos para rebater as propostas das duas potências, não passam de meras especulações que apoderaram das mentes fracas dos que foram eleitos para resolver os problemas deste país.

As nossas investigações dão-nos conta da permanência da mentalidade de povo colonizado no seio dos negociadores cabo- verdianos que vêem no europeu uma imagem de "chefe" e não de parceiro.

Este complexo de inferioridade que continua perturbando as capacidades intelectuais do cabo-verdiano, tem sido bem aproveitado pelos europeus que inteligentemente têm sabido aproveitar desta vulnerabilidade cabo-verdiana, determinando assim as vantagens dos resultados das negociações para o lado europeu.

Estes complexos de inferioridade perante os ex colonizadores têm sido os piores inimigos do bem estar da nação cabo-verdiana, que continua à mercê do dito por não dito do europeu.

Cedo ou tarde teremos que nos despertar desta insônia e soltar das correntes imaginárias do colono europeu.

Os estatutos da ONU estipulam a liberdade dos países e dos povos, mas, as traumas impostas pelos ex colonizadores continuam emitindo efeitos nefastos nas mentes dos nossos conterrâneos que não conseguem-se livrar da mentalidade escravocrata.

Por razões aqui descritas, acabamos sempre mal aviados, ao fim de qualquer negociação com os europeus e ou outros parceiros estrangeiros.

Se se trata de um mero complexo de inferioridade, não estamos aptos para determinar, tendo em conta a nossa ausência nesses atos de negociações. Contudo, não descartamos esta hipótese.

Somos um povo lutador que está se tornando num povo oportunista desprevenido das ciências de negociações a alto nível. Um povo de oportunismo de baixo nível e "barato".

Trata-se de uma vergonha nacional, a forma como somos trocados pelos centavos dos europeus, enquanto os Estados Unidos nos oferece, sem grandes negociações, milhões e outras proteções marítimas e militares.

Somos um povo, tradicionalmente, inteligente mas que, por ganâncias calculistas, se deixou ser comprado por migalhas dos estrangeiros.

Resta-nos esperar e ver o que será do futuro dos que serão, mais tarde, os dirigentes deste país.

Esta nossa ignorada, desprotegida e desempregada juventude que é diariamente bombardeada com insuficiências, incompetências e corrupções de vários níveis e feitios não está a ser expostas a bons hábitos e costumes.

Pessoalmente, não sou saudosista de qualquer povo que seja, mas admiro a forma sensata e protetora como o povo americano tem vindo a lidar com este povo cabo-verdiano, desde os longínquos anos de 1700's, que espero venha a ser um exemplo a ser seguido pela nossa juventude.

 

 

A Voz do Povo Sofredor

 


Carlos Fortes Lopes / Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

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