CARLOS FORTES LOPES: Sistema de vídeo vigilância e a crise nacional

. Publicado em Opinião

Creio que os cidadãos honestos e preocupados com a segurança nesta terra estão todos, ou a maioria, a favor dessa proposta de lei de vídeo vigilância

 

Contudo, convém estarmos muito atentos às jogadas nos bastidores dos nossos deputados nacionais, para que saibamos o que fazer em 2016.

Listas nominais são a melhor cura para a febre de incompetência política cabo-verdiana.

O nível de insegurança é alarmante, mas precisamos ter muita ponderação quanto às regras do vídeo vigilância pública, evitando ferir a nossa "Constituição da República".

Somos constitucionalmente obrigados a respeitar os direitos democráticos de todos os cidadãos, residentes e visitantes, o que implica um estudo minucioso dos locais onde irão ser colocados as câmaras de vigilância pública.

A violência urbana já atingiu um nível preocupante, mas não devemos esquecer que as populações têm direitos constitucionais a serem respeitados (privacidade).

O poder de decisão e organização recai, exclusivamente, sobre os governantes (Parlamento e Executivo), dos quais a população espera uma postura séria e ponderada, analisando friamente os prós e contras do sistema de vídeo vigilância pública.

Apesar de o povo destas ilhas estarem incrédulos na capacidade dos nossos governantes, convém salientar que o mandato desses só termina com as eleições de 2016.

Portanto, enquanto isso, não pretendemos, de forma alguma, continuar sofrendo com a insegurança, e a falta de condições sociais, habitações condignas, "uma gota de água para matar a sede" e "um pedaço de pão para matar a fome".

Esta imposta tradição de festivais e concertos musicais tem vindo a alimentar a ganância violenta dos que no desemprego sentem-se obrigados a roubar o cidadão trabalhador para sustentar um vício imposto pelos gananciosos dirigentes das instituições deste país.

Já chegou a hora de, todos juntos, ponderarmos a situação calamitosa do desemprego nacional e estudar outros modelos de criação de emprego para este número exagerado de jovens desempregados e à beira da desgraça social.

Enquanto estudamos outros modelos de incentivo empresarial e de negócios, com vista à criação de postos de trabalho, para a ocupação profissional dos recém formados, ex-militares e outros, devemos criar outras formas de divertimento, sem muitas exigências de custo para a sociedade participante.

Exemplo: criar centros de aperfeiçoamento técnico, com contratos prévios com empresas nacionais e ou exercendo as suas funções no país.

Nesses mesmos centros deve-se oferecer aulas diárias e noturnas, com ênfase na educação cívica e moral, como parte integrante dos cursos.

Ao mesmo tempo, devemos ser sinceros connosco mesmos e aceitar que a Assembleia Nacional tem sido um mau exemplo para a sociedade e, iniciarmos por aí com algumas intervenções públicas de técnicos das áreas da política, educação cívica e moral, etc., etc..

Como é óbvio, a indisciplina dos políticos tem sido um incentivo popular para algumas das crises sociais do país.

Portanto, só atacando o "Core" da doença seremos capazes de controlar e ou eliminar a sua propagação.

Os poucos que continuam sendo consistentes com as aprendizagens anteriores continuam imunes ao flagelo da criminalidade corrupção, mas decerto que não será eterna essa imunidade.

A prova do potencial nacional quanto ao civismo tem sido comprovado em algumas ocasiões pontuais, como por exemplo; as festas de recepção da equipa dos tubarões azuis no estádio nacional, na cidade da Praia.

Há até quem diz que nessas festas houve muito civismo e alegria porque os políticos não participaram activamente.

Como se pode verificar, as festas do carnaval, em todas as ilhas, são exemplos dignos de referência, apesar do uso exagerado de bebidas alcoólicas e outros produtos ilegais.

Porque não, criar incentivos para a aderência espontânea dos jovens sem abrigo e marginalizados, com o fim de produzirem para o seu sustento habitacional e alimentar?

Porque não utilizar as mãos de obra dos presos, nas pequenas construções locais, como reabilitação de casas e ruas das zonas pobres?

Porque não criar centros de atendimento dos pobres, em todos os municípios, com aulas de artesanato, costura, bordados, pintura e outros, etc., etc.?

Por onde fica a capacidade de criatividade dos nossos dirigentes nacionais?

Mãos à obra, porque o tempo já não nos permite mais demoras e o país não pode acarretar tantas despesas supérfluas e de recompensas nepotistas.

As nossas investigações demonstram-nos de que a forma de atuar da maioria dos nossos governantes está na origem das revoltas e agressões públicas dos jovens frustrados com o sistema.

Temos que mudar de atitude e passarmos a ser bons exemplos para os que vão sobrevivendo com o pouco que têm, enquanto os políticos esbanjam o dinheiro do povo sofredor em passeatas, festas, roupas e subsídios de renda, recebendo mensalmente os seus chorudos vencimentos.

Convém não esquecermos do velho ditado: "fome ca tem lei".

As pessoas tornam-se agressivas quando outros/políticos estiverem a esbanjar o pouco dos cofres do Estado, sem nenhum escrúpulo e ou respeito pelas carências da sociedade trabalhadora.

O número de pedintes, nas ruas das cidades repletas de turistas, está se tornando preocupante e inimigo da indústria que produz 20% do nosso Produto Interno Bruto (PIB).

Cabe aos eleitos organizarem o sistema em vez de ignorarem o grito destes que os elegeu para cuidar dos destinos do país.

 

 

A Voz do Povo Sofredor

 

 

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

comments

Comentários (0)

Cancel or

Comentar


Código de segurança
Atualizar