CARLOS FORTES LOPES: Novo estatuto dos titulares de cargos politicos? qual adaptação aos novos tempos, qual quê?

. Publicado em Opinião

Hoje vou iniciar perguntando: A revisão dos estatutos dos titulares de cargos políticos, nesta presente conjuntura de crise e, de uma elevada percentagem de desemprego no pais, é feita para beneficiar o país, a sua população ou para satisfazer as ganâncias materialistas dos eleitos nacionais?

 

Acho que tudo isso não passa de mais uma manobra suja desses parlamentares nacionais que continuam insensíveis aos problemas das populações das ilhas.

Com essa subjectiva intenção dos deputados nacionais em criar uma lei que os favoreça um aposento bem remunerado e antecipado, antes de atingirem os 60 anos de idade e com menos de 34 anos de prestação de serviço, ao Estado; subvertendo à normalidade legislativa vigente, acabaremos por criar mais um fosso financeiro e econômico nas fracas finanças e a nossa débil economia nacional.

Só pelo facto de se apresentarem periódicamente à Assembleia Nacional, (mesmo sendo quizenalmente), e de “mastigarem” algumas putativas e duvidosas visitas aos círculos eleitorais, num momento em que o Governo tenta, a todo custo, aumentar a idade da reforma e o número de anos de serviço, não só é afrontoso para o povo eleitor como passa a ser uma enorme provocação aos restantes cidadãos deste país.

Realçando, o serviço prestado pelos veteranos servidores do Estado, em detrimento do sofrimento das inúmeras famílias que enfrentam as grandes dificuldades econômicas e financeiras estaremos contradizendo o conteúdo do Artigo 1 da Constituição da República de Cabo Verde.

Todos juntos, teremos de saber usufruir das potencialidades do nosso país, e aprender como enfrentar as fraquezas e limitações derivantes da nossa realidade arquipelágica, (na sabura” ou na amargura é necessário mantermos bem viva o espírito de união e desenvolvimento nacional).

Existem certamente políticos honestos e comprometidos com o desenvolvimento do país, dos quais se espera uma atitude de repúdio em prol do superior interesse da nação cabo verdeana.

Quem, porventura, não conseguir reunir todos os requisitos para se aposentar deve aguardar serenamente como os demais servidores deste Estado de Cabo Verde.

É absolutamente incompatível é inaceitável a aposentação precoce dos políticos através de legislações de aposentação, com a agravante de continuarem a auferir de mais de dois vencimentos, prerrogativa que ninguém mais possui neste país.

Esta manobra política está deixando transparecer a insensibilidade dos Deputados, perante o sofrimento desta incrédula população.

Conforme a referida proposta de lei, os deputados poderão vir a auferir do salário e um pacote de direitos e regalias, sem serem obrigados a deixar de dar aulas, exercer a advogacia e outras assessorias técnicas, enquanto que os outros funcionários do Estado nada disso poderão fazer.

O mais grave de tudo isso, é que os jovens advogados, engenheiros, sociólogos, psicólogos e economistas continuarão sem o respectivo primeiro emprego para aplicação e desenvolvimento dos conhecimentos adquiridos durante os quatro anos de estudos universitários, pagos através da contração de dívidas bancárias individuais.

Alguns até já desistiram de continuar a procurar o primeiro emprego, enveredando por profissões vulgares ou outras formas de subsistência, que nem sempre são as mais dignas de uma sociedade que sempre foi conservadora, orgulhosa e respeitadora.

A pratica do familiarismo, o nepotismo, o favorecimento de pessoas amigas e de afilhados já se transformou numa doença, pior que o vírus da "ébola".

A solução está nas mãos do povo, e decerto que saberão, em 2016, escolher uma nova política de governação para Cabo Verde.

Se se continuar a verificar o humilhante nível de pobreza que assola as nossas populações desprotegidas, é óbvio que durante este ano que nos separa das próximas batalhas eleitorais o surgimento de um novo modelo político no país (SYRISA CABO VERDEANO) será a única saída para este povo sofredor.

Essa fadiga e pressa na aprovação dessa lei, quando ainda existem inúmeras outras questões de maior interesse nacional demonstram o nível preocupante do nepotismo e hipocrisia política existente no seio dos governantes deste nosso país.

Antes dessas manobras parlamentares serem debatidas, dever-se-ia debater a vergonhosa imunidade parlamentar e abrir a porta ao sistema judicial nacional para julgar os vários deputados com casos pendentes nos tribunais do país.

Dados indicam que somos um dos poucos países do mundo que ainda continua insistindo na imunidade parlamentar, copiando apenas os países corruptos como o nosso.

A intervenção do Presidente da República, neste assunto, parece ser necessária e justificável.

Caso contrário, não haverá democracia neste país enquanto uns usufruem de todas as regalias e outros são marginalizados descaradamente.

Está bem patente de que os políticos nacionais em vez de estarem a trabalhar para a proteção do bem estar dos eleitores, estão apenas ocupando esses cargos para usufruírem das benesses que esses cargos políticos lhes proporcionam.

Não restam dúvidas algumas de que os políticos nacionais só querem saber do bem estar pessoal e familiar, enquanto ignoram o sofrimento deste povo que os elegeu para cuidar do bem estar do país e da sua população.

 

A Voz do Povo Sofredor

 


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