CARLOS FORTES LOPES: O caso dos Correios de Cabo Verde

. Publicado em Opinião


A confiança é o suporte do negócio, e qualquer empresa pública não pode ser comandada por mera conveniência politica do partido no poder

 

Nomear gestores sem concurso público, sem a fixação dos objetivos e resultados em termos financeiros, sem a devida estipulação dos indicadores de liquidez, de atividade, de endividamento e de rentabilidade, em termos de mercado é, no mínimo, irresponsável.

Estas nomeaçōes exigem, aumento das quotas do mercado, índice de satisfação dos clientes, em termos dos recursos humanos, índice do clima laboral, a paz social interna, etc., etc., além dos exigentes termos de processos e a redução da burocracia e flexibilidade do sistema; os tais "balanced scorecard" de qualquer empresa ou instituição pública.

O Conselho de Administração de qualquer empresa pública ou privada terá, obrigatoriamente, que ser o exemplo de um forte comportamento ético e transparente.

No presente caso dos CCV, tudo indica que a ética e transparência foram totalmente ignoradas pelos governantes nacionais e, mais diretamente, pela atual PCA da empresa.

Pois, a destituição do Administrador Cipriano Carvalho demonstra o quão corrupto é o sistema politico-administrativo Cabo Verdiano.

Como dizia o outro; é isso o preço a ser pago a quem apresenta uma certa coragem de denunciar o uso e abuso do erário público nacional (pura demagogia politico-administrativo, usado para intimidar qualquer tentativa de denúncia).

Pois, é inadmissível que em apenas dois anos e seis meses de mandato um Conselho de Administração seja tão incompetente, a ponto de ver-se obrigado a pagar mais de 50 milhōes de escudos para executar uma estratégia de remodelação insustentável, para manter uma instituição do calibre dos Correios de Cabo Verde a flutuar.

Esses senhores e senhoras que ocupam cargos de destaque social (por apontamento politico) não podem continuar a usufruir dessas descaradas ilegalidades e desperdício do pouco que ainda resta dos lesados cofres deste pobre e pedinte Estado de Cabo Verde.

Em qualquer país sério, e que valoriza o que tem, o funcionário público respeita as horas normais de trabalho e não abusa do erário público para ganhos pessoais, como a utilização indevida das viaturas e combustíveis, no exercício de funções alheias aos cofres do Estado.

Estas práticas são consideradas de roubo e desonestidade profissional e, precisam ser punidas rigorosamente.

Em Junho de 1999 a revista Fortune publicou um artigo intitulado “WHY CEO´s FAIL, no qual poderemos espelhar para identificar inúmeros casos, a nível nacional. Conforme a Fortune, "raramente os CEO`s falham por falta de inteligência ou de visão, ou seja: 70% dos CEO`s falham devido à má execução das estratégias"(dificuldades em traduzir as ideias da estratégia em ações operacionais). Contudo, já em Cabo Verde, a realidade parece ser o contrário; os PCA's são sempre pessoas indigitados (as) pelo governo, baseando-se na confiança política, em detrimento da capacidade profissional dos (as) mesmos (as).

Pois, pelo que se pode verificar, através das acusaçōes públicas do agora Ex-Administrador, existiram e continuam a existir graves irregularidades, com indícios de fraude e esbanjamento de recursos do Estado de Cabo Verde, lá pelas bandas dos Correios de Cabo Verde.

Esbanjamentos que traduzem em supêrfluos e indevido gastos que ultrapassam os mil e quatrocentos contos numa infrutífera viagem de "negócios" a Sillicon Valey, California, USA.

Num país sério, casos do tipo requerem uma investigação independente e competente, com um simples objectivo profissional de apuramento das responsabilidades institucionais de todos os envolvidos, direta ou indiretamente.

Pelos vistos esta denúncia sobre a alegada gestão danosa foi conduzida de forma habitual (proteger a militância indigitada), o que acabou por ditar o despedimento (politico) dos dois administradores executivos, José Carlos Cunha (um dos alvos da denuncia) e o denunciante, Cipriano Carvalho que, como habitual, passou a constar da secreta lista de "persona non grata" do sistema.

O mais intrigante foi a rapidez com que a Presidente do Conselho de Administração, Alita Dias, conseguiu apontar os substitutos e continuar à frente dos destinos dessa empresa de bandeira nacional, tentando ludibriar a tudo e todos com a falácia do dizer de que "é preciso travar, com verdade objectiva, as tentativas de calúnia e suspeições infundadas que obstaculizam o processo de transformação em curso na empresa", enquanto as verdades deste caso continuam por ser apuradas, imparcialmente.

Esta presidente do Conselho de Administração dos CCV parece estar a usufruir da famosa imunidade politica dos que pertencem ao grupo da elite da capital do país e que já é apanágio politico dos sucessivos governos de Cabo Verde, de 1991 a esta parte.

Ambos os governos da era da Constituição e Democracia têm vindo a exibir as suas capacidades politicas e éticas de assanar esta doentia falácia de apontar apenas militantes, comissários políticos do partido que sustenta o governo.

Neste caso dos CCV, até há quem fale, de boca aberta, em ilegalidades de contratos duvidosos com uma empresa na qual a própria presidente do Conselho de Administração dos CCV é Sócia.

Resta portanto, rever e analisar todos os dados publicados até agora e esperar que o povo não se deixe ser enganado, uma vez mais, e que seja capaz de julgar os corruptos, nos escrutínios eleitorais de 2016.

 

A Voz do Povo Sofredor

 

 

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