CARLOS FORTES LOPES: A saga do parlamento cabo verdiano

. Publicado em Opinião


Eram precisamente 12:07 minutos, do dia 25 de março de 2015, quando se fez transbordar o copo de água da política deste país de nome Cabo Verde

 

E foi na manhã do dia 9 de abril, 14 dias depois, que o Presidente da República vetava a lei aprovada pelo grupo minoritário de políticos que deviam ter criado leis que protegesse este povo eleitor e os cofres do Estado de Cabo Verde.

Na Assembleia, no início da tarde de 25 de março, através da rádio nacional, após termos assistido a uma manhã colorida de barbaridades linguísticas, alguns esporádicos argumentos em defesa das desejadas regalias parlamentares, ninguém mais quiz usar da palavra, pois, os grupos parlamentares estavam unidos e prontos a votar na proposta de lei que os atribuiria mais regalias e mordomias a esses supostos representantes do povo de Cabo Verde.

No local e na hora da verdade, os políticos não tiveram nenhum problema para votar na Generalidade: Sim= 67 votos Não= 0 Abstenção= 2, fazendo com que o povo, finalmente demonstrasse o seu poder constitucional, manifestando pelas ruas das cidades cabo verdeanas.

Com esse voto dos Deputados, alcançamos um marco na história de Cabo Verde, mesmo sendo por casmurrice política e ou autoritarismo parlamentar.

Pois, o povo destas ilhas de Cabo Verde, continua sendo contemplado e protegido com as leis constitucionais que lhe atribuem o direito de manifestar e discordar com os políticos e, não deixaram escapar esta preciosa oportunidade e fizeram tremer as actuais hostes políticas do país.

O povo é quem ordena

Além dessas manifestações públicas, estamos convictos de que o povo das ilhas, continuará atento e disposto a responder aos parlamentares com os respetivos cartões vermelhos, eliminando-os do "spectrum" político, nas próximas eleições legislativas a decorrerem no início de 2016.

Pois, não estamos à espera que a discussão na especialidade, em sede de comissões ou na plenária, seja diferente e ou traga algo de novo, e nem esses Deputados já não proporcionam ao povo qualquer gota de confiança para dirigir os destinos parlamentares deste país.

Como é óbvio, as fraquíssimas condições financeiras de Cabo Verde não permitem aumentos salariais do tipo, aliás, a conjuntura actual exige cortes substanciais nos exagerados vencimentos praticados no seio da função pública nacional.

Com o nível baixíssimo do poder de compra das populações, falta de confiança empresarial e a consequente falta de emprego para os jovens recém formados, os representantes do povo deviam ter alguma contenção e esperar por melhores momentos para debater e aprovar esta lei que irá estrangular ainda mais as fracas capacidades econômicas deste país que depende, na sua maioria, de ajuda externas de países amigos e das remessas dos emigrantes.

Uma vez mais, ficou provado de que quando é do interesse pessoal dos Deputados, não existem discórdias partidárias e todos unem e votam a favor.

Portanto, quando realmente querem, esses ocupantes das cadeiras da casa parlamentar cabo verdeana conseguem arranjar consensos para aprovar leis e não existe ninguém que os consiga impedir de conseguir o consenso desejado.

Enquanto isso, imaginaram que a passividade habitual deste povo sofredor, jogaria a favor das manobras políticas, de tal forma que bastariam apenas algumas simples conferências de imprensa seguidas do silêncio para que tudo voltasse à normalidade.

Desta vez o tiro saiu pela culatra.

Resta-nos relembrar aos Deputados e associados de que as eleições de 2016 estão aproximando e este povo eleitor terá a dose certa para conter a corrupção político-governamental deste pequeno grupo de políticos que está destruindo o país de todos nós.

Pois, a onda de manifestações já abriu caminho para uma nova era política cabo verdeana.

Confiamos neste povo eleitor e na força eleitoral da juventude que saberá sair e votar para a mudança e o chumbo político desses incompetentes e corruptos Deputados que só querem saber dos sucessos bancários pessoais, familiares e partidários.

E com esta nova onda política, objetiva e, determinada em mudar, definitivamente, o Status Quo da política cabo verdeana, só nos resta esperar pelos próximos pleitos eleitorais e o envolvimento em massa da juventude deste país carente de mudanças.

A nova onda política promete ser totalmente diferente, realmente democrata e responsavelmente participativa, pois os jovens já demonstraram que afinal estão atentos e que estarão recenseando para poderem participar activamente na vida política nacional de forma a rejeitarem os que já demonstraram as suas tendências corruptas e de insensibilidade para com o sofrimento deste povo eleitor.

 

 

A Voz do Povo Sofredor

 

 


Carlos Fortes Lopes/Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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