CARLOS FORTES LOPES: Desaparecimento físico do carismático Corsino Fortes

. Publicado em Opinião

Corsino Antonio Fortes nasceu a 14 de Fevereiro de 1933, em Mindelo, na ilha de S. Vicente, e morreu neste dia 24 de Julho de 2015, nesta sua cidade berço

 

A história da vida do poeta Corsino Fortes é cativante e exemplar.

Apenas um lutador determinado como este seria capaz de conseguir tanta proeza durante o seu rico, deslumbrante e sigiloso modo de viver.

Corsino Fortes perdeu os pais muito cedo e, aos doze anos, teve de suspender os estudos, passando a trabalhar na Companhia Ferro como aprendiz, ajudante de ferreiro e ajustador de máquinas.

Durante uma entrevista concedida ao Jornalista Michel Laban, em 1992, Corsino conta que, nesse período, mesmo longe da escola, saía do trabalho e a primeira coisa que fazia era ir à biblioteca municipal (cf. LABAN, 1992, p. 385).

O jovem órgão Corsino Fortes viria, mais tarde, aos vinte anos de idade (20), regressar ao liceu, encontrando aí a amizade do carismático João Varela, com quem desenvolveu diálogos produtivos que o ajudaria na colocação das primeiras pedras dos seus projectos literários.

Alguns anos mais tarde, entre 1957 e 1960, após vários encontros com Abílio Duarte, um dos fundadores do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), que havia chegado da Guiné-Bissau para mobilizar e conscientizar a juventude cabo-verdiana para a luta de libertação nacional, Corsino Fortes viria então a ser influenciado decisivamente a aderir à causa da Libertação do Povo da Guiné e Cabo Verde.

Enquanto isso, nesse mesmo período, enquanto ainda residia em Mindelo, alguns dos seus poemas são publicados no Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes, no Cabo Verde: boletim de propaganda e informação e na revista Claridade 9, o último número desse periódico.

Já em 1961, Corsino viajava para Lisboa para iniciar o curso de Direito, e, a passagem pela Casa dos Estudantes do Império contribuiu para seu amadurecimento político, principalmente em função da efervescência dos debates travados sobre a realidade das então colônias portuguesas e das produções literárias que apontavam para uma ordem diferente.

Corsino viria a concluir os seus estudos na faculdade, em 1966, e, desde então, exerceu inúmeros cargos jurídicos, políticos e diplomáticos, iniciando a sua trajectória profissional em Angola onde exerceu o cargo de Delegado do Ministério Público e juiz de Direito, até pedir exoneração em abril de 1975.

Nessa mesma altura, havia iniciado uma nova carreira profissional, como representante do PAIGC, em Angola, entre os dois anos de 1974 e 1975; Director Geral dos Assuntos Judiciários da República da Guiné-Bissau; Emissário Especial da República de Cabo Verde junto aos governos de Angola e de São Tomé e Príncipe, tendo, a partir dos fins de 1975, até 1981, desempenhado o cargo diplomático de Embaixador da República de Cabo Verde junto à República Portuguesa.

Já em 1981, de volta a Cabo Verde, foi designado como secretário de Estado adjunto do Primeiro Ministro Pedro Pires, e em 1983 passou a desempenhar o cargo de Secretário de Estado da Comunicação Social.

De 1986 e 1989, regressou à África como Embaixador de Cabo Verde junto à República Popular de Angola e aos governos de São Tomé e Príncipe, Zâmbia, Moçambique e Zimbábue.

De 1989 a 1991, Corsino Fortes viria a ser colocado de novo no Executivo, para desempenhar o cargo de Ministro da Justiça pelo Governo de Cabo Verde.

Já em 1992 passaria a exercer a profissão de Consultor Diplomático do primeiro programa PALOP.

Corsino Antonio Fortes foi também presidente da Fundação Amílcar Cabral e presidente da Associação de Escritores Cabo-verdianos (2003-2006), e já nessa recta final da sua vida na face da terra, o Poeta Corsino ocupava o nobre cargo de Presidente da Academia de Letras de Cabo Verde, entre outras atividades.

A lista é realmente grande e justifica as condecorações que já recebeu, entre elas a da Ordem do Vulcão pelo governo Cabo Verdeano, etc., etc..

Convém ainda salientar que o Pão & fonema, título do livro escrito em 1974 e Árvore e Tambor (1986), livros esses pelo qual o escritor/poeta Corsino Fortes era mais conhecido no seio dos seus leitores, tendo em conta o Pão & Fonema que apresenta um cartograma do Arquipélago, com destaque para a ilha de São Vicente, terra que o viu nascer em 1933 e morrer em 2015.

 

 

Carlos Fortes Lopes /Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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