UMARO DJAU: PAIGC e a falta de diálogo interno

. Publicado em Opinião

Numa das suas recentes declarações, o Bureau Político do PAIGC reconheceu que “o desentendimento entre os titulares dos órgãos de soberania está sendo provocado por uma ausência evidente do diálogo institucional sincero…” entre as partes, imputando a maior culpa ao Presidente da República, José Mário Vaz

 


Da minha parte, receio que cada dia que passa, as oportunidades do diálogo estejam a ser dissipadas e fechadas.

Parece-me que o PAIGC está a “falar” a um nível, mas a “operar” num patamar totalmente diferente e menos transparente face ao povo guineense e, particularmente, ao seu eleitorado e aos seus militantes.
Independentemente de qualquer pressão interna ou externa, um agravamento da situação (por razões constitucionais) só poderá prejudicar o Primeiro-Ministro, o Presidente da República, o PAIGC e o País – nesta precisa ordem de coisas.

Mas, para vos ser mais sincero, diria que o PAIGC atravessa uma das mais profundas crises políticas das últimas décadas. E só o PAIGC nos poderá explicar as verdadeiras razões das suas convulsões internas, ou seja, os tais “factores subjectivos” que ninguém quer tocar ou expor.

Em vez de aproveitarem bem o período para o qual foram eleitos, o PAIGC preferiu auto-ajustar-se “internamente” logo no seu primeiro ano do exercício do seu poder legislativo, executivo e presidencial para o qual fora eleito nas últimas eleições.

Meus caros, nesta presente batalha política muita água vai ainda correr, até porque, apesar de tudo o que se diz, o país está apenas perante uma “ausência evidente do diálogo interno e sincero” dentro do próprio partido-libertador.

Todavia, tem sido uma pena porque, quando o PAIGC perde intencionalmente a noção da sua importância histórica e nacional, a Guiné-Bissau inteira sofre!

Entre a decepção e as incertezas, o único aspecto que me parece encorajador é o facto desta vez, a crise interna não se saldar num “golpe de estado” militar!

Dito isto, no ponto de vista de cidadania, a maior contribuição que cada guineense devia ou podia prestar ao país é no sentido de manutenção da paz, da ordem pública e constitucional — independentemente de todos os direitos individuais inerentes ao Estado Democrático.

Antes de tudo, «pensar com a nossa própria cabeça» como dizia o nosso saudoso líder, Amílcar Lopes Cabral. Ao exercitarmos os nossos direitos constitucionais, fazemo-lo de uma forma ímpar e exemplar, para nós e para as futuras gerações. E se for uma “primavera”, que ela represente o “reflorescimento” das esperanças do nosso povo.

Por fim, nacionalismo e simbolismos de lado, sonho com o dia em que o Povo nobre, humilde e sofredor da Guiné-Bissau vá deixar de ser o refém de qualquer partido político do país. Ou melhor ainda: sonho com o dia em que os partidos políticos nacionais tenham a noção das suas responsabilidades morais para com o Povo guineense.

 


Bem haja!

 


Umaro Djau | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

 


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