CARLOS FORTES LOPES: A antecipação às campanhas autárquicas

. Publicado em Opinião

O jovem Ministro da Presidência do Concelho de Ministros/Assistente do Primeiro Ministro, tem vindo a demonstrar muito interesse em manter a Comunicação Social Pública sob o controlo político dos governantes

 

 

Ao tentar apresentar-se como o salvador da classe jornalística nacional, numa tentativa macabra de ilusionismo político, o jovem ministro demonstra-nos o quão igual aos outros políticos é e como poderá ser uma ameaça municipal para as aspirações da minha e nossa ilha do Sal.

As presenças do Ministro nas inaugurações e actividades politico-governamentais estão ficando insuportáveis e preocupantes, para quem sabe que o jovem carece de muita experiência profissional para exercer as funções de líder executivo de uma Câmara Municipal complexa e exigente como a da ilha do Sal.

Ao participar e votar na aprovação arbitrária do Projecto de Resolução para a Criação do Fundo Monetário, no valor de 70 milhões de escudos cabo verdeanos, demonstrou que tipo de político é e o que a população do Sal poderá esperar dessa inexperiência politico-profissional, caso resolver votar na lista do partido no qual milita o Ministro.

A manobra política de apresentar o projecto de lei como uma forma de o Governo apoiar, fomentar e co-financiar o sector da Comunicação Social nacional é mais uma prova da tentativa desse grupo em manter o controlo político partidário sobre os órgãos da comunicação social nacional.

Mais uma forma macabra dos governantes manterem a influência política sobre o "Quarto Poder".

Durante os já decorridos 14 anos de governação, só agora o partido no poder resolve aparecer com ideias inovadoras para salvar a classe jornalística, numa clara manobra política, com vista às campanhas eleitorais nas legislativas e autárquicas do próximo ano.

Ao confirmarmos de que os recursos e receitas desse fundo serão extraídos do Orçamento Geral do Estado e outros, ficam clarificadas as nossas suspeitas da insistência governamental na partidarização do sector da Comunicação Social Pública Nacional.

Essas atitudes exclusivamente político-partidárias demonstram a ingenuidade técnico-profissional deste jovem Ministro com potencialidades de aprendizagem mas que carece da humildade social suficiente para ganhar experiências concretas e não fictícias como as que está adquirindo através da doentia partidarização de tudo que for possível e alcançável.

Este Estado Cabo Verdeano está carente de políticos sérios e idôneos, capazes de se livrarem das garras da elite política nacional e seguir outras politicas, com ética e respeito pelo povo eleitor.

Cabo Verde está aclamando pelo envolvimento de pessoas dispostas a trabalharem para o bem do povo e não exclusivamente para o bem pessoal, familiar e partidário.

Estamos convictos de que a Comunicação Social Nacional carece de um fundo nacional para formação e aperfeiçoamento de jornalistas investigativos e de uma representação jurídica capaz de executar os processos de demandas de informações sobre o funcionamento da Função Pública Nacional e os actos de abuso e desmandos administrativos dessa mesma função pública e livre das influências ditatoriais dos políticos governantes.

Como já é apanágio político, o governo continua prometendo sem sequer ter o cuidado em diligenciar para a criação de bases sólidas para a execução das suas promessas partidárias e de campanhas.

Enquanto os atuais políticos inauguram e lançam primeiras pedras, bombardeando as populações das ilhas com informações pouco sérias e repletas de inverdades e impossibilidades reais, o povo sofredor continua esperançoso na expectativa de que essa ultima ladainha seja coroada das benções do "Senhor" e se transforme, milagrosamente, em alguma realidade palpável.

Através de palavras de políticos corruptos só acabamos assistindo a uma desenfreada construção de Castelos no ar, colocando o povo eleitor em situações vulneráveis e de maior sofrimento.

Os políticos nacionais continuam cometendo inúmeras ilegalidades e os responsáveis pelas mentiras e roubos institucionais continuam a viver na melhor sem sequer serem chamados a responder um processo de acusação judicial.

Resta-nos esperar que o grupo que irá gerir esse fundo seja capaz de usar da sua autonomia e independência administrativa e partidária, e alcançar o desejado pela maioria dos cabo verdeanos.

Pois, com esse montante de 70.000 contos a criação de um Departamento de Jornalismo Investigativo alcançaríamos um outro patamar e estaríamos a alavancar o incremento e desenvolvimento do jornalismo nacional, além da real solução que seria; criar condições financeiras e de recursos humanos para a total liberdade dos meios da Comunicação Social Nacional.

Mas com essas manobras, o Governo continua demonstrando a sua sede em controlar o "Quarto Poder", de forma a manter os profissionais da Comunicação Social Pública sob o seu controlo político-partidário.

Continuando esta parte da Comunicação Social Nacional sob o controlo da elite da capital, Cabo Verde está-se a perder a grande oportunidade de trabalhar na consolidação da Democracia Nacional.

Os jornalistas, por mais competentes que sejam, continuarão sendo meros meninos de recado desses que detêm o poder político.

Está provado de que nos países realmente democráticos a comunicação social é livre e isento do controlo dos políticos e governantes.

A finalizar: este projecto de Lei, aprovado pelo Conselho de Ministros é mais um exemplo cristalino da falta de princípios democráticos destes governantes que não estão interessados em Democracia e Liberdade de Imprensa.

Pois, os sucessivos governos de CaboVerde nunca tiveram, até hoje, uma visão estratégica e consistente sobre a independência dos meios de comunicação em massa e continuam prometendo subsídios para as rádios privadas sem sequer tentarem mantê-las e de lhes atribuir a total liberdade de expressão e funcionamento.

Aliás, os políticos nacionais continuam encarando este sector da sociedade profissional como uma ameaça à matriz ideológica dos chamados partidos do arco do poder.

Sabemos que as eleições já estão à porta, mas também sabemos que desta feita os conteúdos e o modo de comunicar será diferente, para um povo muito mais instruído e melhor informado, graças às redes sociais.

 


A Voz do Povo Sofredor

 

 

Carlos Fortes Lopes/Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

 

 

 

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