ALÍRIO CABRAL GOMES: O (novo) isolamento da ilha de São Nicolau

. Publicado em Opinião

Esta significativa redução de voos resulta, claramente, de uma estratégia para (continuar a) sufocar a ilha e as suas gentes, para depois virem em tempo de campanha comprar votos com apoios e assistencialismos

 


A TACV na sua nova política de rotas resolveu, mais uma vez, abandonar e isolar a ilha de São Nicolau que doravante (e não se sabe por quanto tempo) terá apenas duas ligações por semana, às quartas-feiras e sábados. Pior que abandono/isolamento isto demonstra a visão (ou falta de uma visão) de uma empresa comprometida com uma estratégia de um governo em fim de ciclo que apenas e tão-somente deseja continuar a prejudicar a nossa ilha.

Ora, a limitação de voos para este destino é sinal evidente de que o governo (quem nomeia os comissários políticos para a TACV) não se importa com São Nicolau. Para o governo e para a administração da companhia aérea é irrelevante a ilha de São Nicolau, por isso corta em tudo, até nos voos.

Com apenas duas ligações semanais é cada vez mais difícil projetar o desenvolvimento desta região, mormente num tempo de novos desafios. Os transportes são fundamentais para qualquer tipo de investimento e São Nicolau está simplesmente a ser prejudicado no seu processo de desenvolvimento.

Este abandono é sinal evidente de que o governo e a própria TACV não têm uma visão estratégica para a ilha, e pouco se importam com o amanhã.

Se os empresários já tinham obstáculos em virem investir em São Nicolau agora é que ficou mais complicado. Se já tínhamos problemas de lugares, agora é que vão aumentar.

Os emigrantes que já tinham dificuldades em vir à terra terão maiores complicações em programar as férias nestas condições.

As evacuações (urgentes, sobretudo) serão prejudicadas e o paciente pode pagar caro por isto.

Não é possível o governo e a TACV não terem sensibilidade para estas situações.

Esta significativa redução de voos resulta, claramente, de uma estratégia para (continuar a) sufocar a ilha e as suas gentes, para depois virem em tempo de campanha comprar votos com apoios e assistencialismos, mas o povo soberano saberá analisar estas e outras situações mas em 2016 dará a sua competente resposta.

Não são aceitáveis estas sucessivas decisões que apenas servem para asfixiar a ilha e travar o seu projeto-processo de desenvolvimento. O governo deve olhar para São Nicolau como parte de Cabo Verde e não como uma ‘ilha isolada’. Não tratar as gentes de São Nicolau como filhos menores.

Este governo em fim de ciclo, cansado e esgotado não nos pode remeter ao isolamento forçado porque recusamos, liminarmente, ser tratados como cidadãos-menores. Todos somos cabo-verdianos, pagamos os mesmos impostos e merecemos igual tratamento.

Exigimos que a TACV que corporiza a política de transportes aéreos do governo reveja, o quanto antes, a sua decisão, e volte a contemplar a ilha de São Nicolau com mais voos.

Urge uma política de transportes aéreos que contemple todas as ilhas e permita ligação eficaz e regular entre todas as ilhas que enformam este Arquipélago.

 

 


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