CARLOS FORTES LOPES: São Nicolau e a sua Banca Furada

. Publicado em Opinião

 

Na nossa opinião politico-profissional, a empresa Fiscalizadora da construção da Barragem de Banca Furada é a responsável pelo descalabro à volta da construção da Barragem de Fajã de São Nicolau

 

 

Num país sério, o erro cometido na construção dessa Barragem é um erro inaceitável e punível com multas avultadas e suspensão de licenças profissionais.

Pois, é no mínimo inadmissível qualquer erro do tipo na área da Engenharia; seja ela Civil, Hidráulica e ou Geotécnica.

Dizia um nosso colega amigo, num artigo de opinião pública, de que "qualquer indivíduo que estuda barragens nas disciplinas da engenharia Civil, Hidráulica e Geotécnica sabe que existem 3 premissas básicas para a construção de uma barragem superficial numa bacia hidrográfica, nomeadamente:

"1. O volume da água a captar, armazenar e a valorizar a fim de criar riquezas, enfim todas as disciplinas da hidro-economia que se resume ao custo e ao benefício sempre, tendo em conta o “stress” hídrico e a falta de água na bacia.

2. O espaço, a geologia e a geotecnia da albufeira da barragem, parte fundamental do armazenamento da água no seu movimento horizontal (escoamento) e vertical (infiltração)."

3. O corpo da barragem só deveria ser construída caso as duas condições previamente citadas se justificassem."

Portanto, sendo a estrutura geológica da área da albufeira da Barragem da Banca Furada de origem vulcânica, com um grau de fracturação e de permeabilidade super elevado, convinha ao governo insistir no respeito das regras internacionais da engenharia Civil, Hidráulica e Geotécnica.

Pois, tudo indica que as informações geológicas de que a zona é composta por cones de piroclastos e pequenos mantos subaéreos basálticos, formações porosos e permeáveis, foi negligenciado e não se efectuou o estudo geotécnico da albufeira, com o propósito de detectar as fracturas, fissuras e dilatasses.

Estudos esses fundamentais para a execução da obra e que permitiriam evitar todos os constrangimentos encontrados na construção do corpo da barragem que acabou por custar o dobro do orçamento inicial de 360 mil contos.

Com esta citação, queremos chamar a atenção do povo das ilhas para os próximos passos deste governo na resolução desta anomalia grave de construção de uma infra-estrutura de custos avultadissimos para os miseráveis cofres do Estado de Cabo Verde.

Para que mantenhamos sempre atentos às manobras políticas dos actuais governantes, passo a citar uma parte do post que publiquei no passado dia 19 de Outubro de 2015, no Facebook.

O actual Primeiro Ministro de Cabo Verde, além de estar a demonstrar uma exagerada atitude de arrogância política continua sendo um defensor acérrimo da corrupção governamental existente no país.

Com que então, o Sr. JMN acha que "está posta de parte a possibilidade de alguma falha na construção da barragem da Banca Furada, na ilha de Sao Nicolau"?

Será que o PM quer insinuar de que o povo Cabo Verdeano será quem arcará com as despesas dos erros da vergonhosa e incompetente prática e fiscalização da Engenharia Civil da Prospectiva, SA?

Sendo a barragem da Banca Furada na ilha de São Nicolau, uma obra projectada para armazenar 300 mil m3 de água, ela devia ser projectada e estudada como mandam as regras da Engenharia Civil, Hidráulica e Geotécnica Internacional.

A Banca Furada foi projectada para armazenar água suficiente para irrigar uma área de 35 hectares de terreno, o que viria a beneficiar cerca de 200 agricultores da ilha e localidade de Fajã.

Se formos analisar outros dados do projecto, constataremos que estão aí incluídos a criação de cerca de 600 empregos indirectos, o que numa ilha como São Nicolau terá uma significativa influência nos sectores social e econômico da ilha.

Convem também não esquecermos de que esse empreendimento foi possível graças ao empréstimo contraído pelo nosso governo através do governo de Portugal no Programa de Linha de Crédito Português e, o povo Cabo Verdeano será o único responsável a pagar a dívida contraída.

A pergunta que nos resta fazer é a seguinte: será que mais esta vez a culpa morrerá solteira?

Esperemos que não e, pedimos ao Ministério Público, Procuradoria Geral da República e o Tribunal de Contas que actuem e que sejam sacadas as responsabilidades a quem de direito, prevalecendo a aplicação das Leis oficiais deste nossos território Cabo Verdeano.

Não podemos continuar a viver num país de irresponsáveis, onde ninguém é culpado em nada e ninguém assume as consequências da gestão danosa da coisa pública.

Em pleno século XXI e depois de 40 anos de independência e 23 de Democracia "documental" acho que chegou a hora dos responsáveis políticos começarem a demitirem-se quando cometem erros e passarem a ser judicialmente res- ponsabilizados pelos seus actos criminosos.

 

AS PALAVRAS DOS VETERANOS HABITANTES vs A INFLUÊNCIA FINANCEIRA.

Estamos na posse de dados que testemunham de que alguns habitantes, conhecedores da realidade local tiveram o cuidado de informar aos técnicos de que esse terreno que iriam constituir a Albufeira da Banca Furada não era o mais propício para a construção de uma Barragem do tipo.

Pois, a estrutura geológica da área da albufeira é de origem vulcânica e com um grau de fracturação e de permeabilidade elevadíssimo.

Mas, tendo em conta que não se trata do primeiro erro da Prospectiva, SA, na execução das suas funções de empresa Fiscalizadora de uma obra de construção de Barragens, em Cabo Verde, esperamos que desta vez a culpa não morra solteira.

Os dados referentes a esta obra apontam para uma corrupção ao mais alto nível e a empresa fiscalizadora terá que responder à justiça e explicar porque razão deixou prosseguir a execução da obra, sabendo que o terreno era impróprio para a construção da Barragem.

Os cabo verdeanos já estão cansados dessas manobras político-partidárias e querem ter representantes governamentais que trabalhem para o bem estar do povo de todas as ilhas e deixe de usar o dinheiro deste povo para fazer campanhas pessoais e político-partidárias.

Já basta de um Estado de irresponsabilidade, onde ninguém é culpado em nada e ninguém assume as consequências da gestão danosa dos bens do povo sofredor destas ilhas.

Chegou a hora de oferecer bons exemplos de governação, profissionalismo, ética e carácter para que os nossos jovens venham a ser diferentes e melhores que nós, para o bem do país.

PDRN promete implementar essa mudança, a partir das próximas eleições de 2016.

 

A Voz do Povo Sofredor

 

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