VITOR OSÓRIO: A verdade sobre situação financeira do antigo selecionador Rui Águas

. Publicado em Opinião

O JSN deseja contribuir para que o caso do antigo selecionador de futebol, Rui Águas, seja clarificado, de modo a permitir que as pessoas tenham matéria para fazerem a sua opinião sobre o assunto. Assim, entendemos ser oportuno publicar na íntegra o texto da conferência de imprensa dada ontem, segunda-feira, pelo presidente da FCF sobre o assunto

 


1.    Introdução
Na sequência da comunicação que o seleccionador Rui Aguas nos dirigiu, por e-mail de 01 de Janeiro de 2016, que deixava o cargo de seleccionador, convidamos os Srs. Jornalistas para esta conferência de imprensa.  


Sem prejuízo de o Rui Aguas dizer no e-mail que nos dirigiu que “herdamos um processo complicado”, gerimos este assunto com total descrição, por envolver entidades parceiras. Igualmente entendemos, até agora, que não devíamos tornar público os factos deste dossier Rui Aguas.  


Ocorre que a mesma foi trazida a público e entendemos ser agora nosso dever informar a opinião pública do mesmo. Com isso, repomos uma serie de desinformações que se pretende criar à volta deste assunto. Mas faremos isso aqui sempre com o sentido de responsabilidade Institucional e de defesa dos valores da verdade, pois que não pode ser posta em causa – pois sempre foi essa a nossa preocupação – a estabilidade do projecto maior que são os Tubarões Azuis.  


Nesta data, a FCF agradece ao Rui Aguas a colaboração, profissionalismo, empenho, resultados obtidos e espirito de missão e de sacrifício da sua actuação enquanto seleccionador nacional.  


Por razões éticas não vamos aqui revelar os valores do contrato do Rui Águas.

2. Enquadramento  


O seleccionador Rui Aguas começou a trabalhar para a FCF em Maio de 2014.  


Conforme nos foi transmitido, aquando da passagem de dossiers, os salários do RA foram acordados serem pagos pela Federação Portuguesa de Futebol – FPF, no âmbito de um acordo de cooperação entre as duas Federações. Esse acordo foi verbal. Não há qualquer contrato escrito entre a FCF e FPF sobre o compromisso “Rui Aguas”, assim como não há nenhum contrato escrito de trabalho entre FCF e Rui Aguas.  


3. Pagamentos  


Os pagamentos do salario de Rui Aguas foram feitos, cronologicamente, nas seguintes datas:  


Datas          Rui Aguas         Bruno Romão  


9/Out/14     12.000€            6.000€

18/Dez/14   15.000€            5,000€

12/Mar/15   18,000€            10.500€

22/Maio/15   6,000€

17/Out/15  18,000€             12,000€

 
Rui: 69,000€

Bruno: 33.500€

Totais: 102.500€ (11.302,000$00)   
 
4. Actuações em busca de Soluções:

 
Com a nossa eleição e tomada de posse, em função do dossier Rui Aguas não estar documentado e termos tido dificuldade em perceber o que tinha sido acordado, actuamos do seguinte modo:  


1- Junto de Rui Aguas:

a) Perguntamos ao Rui Aguas da sua situação para com a FCF, que nos confirmou haver um acordo verbal entre a FCF e a FPF para que esta lhe pagasse os salários;  


b) Rui Aguas comunicou que, por precisar de um Assistente, acordou na altura que, do seu salário inicial, uma parte do mesmo, seria para pagar o salário do seu Assistente Bruno Romão. Isto porque o acordo entre as partes – FCF, FPF e Rui Aguas – só contemplava a sua pessoa.  


2- Junto da FPF: Uma vez que não havia contrato escrito, no início de Maio, dirigimos uma carta ao Presidente da FPF. Ficou acordado que no âmbito da deslocação ao Congresso da FIFA em Zurique, esse assunto seria tratado entre nós.  


No regresso de Zurique, fizemos escala de um dia em Portugal e, acompanhados do antigo Presidente Mário Semedo, reunimos os dois com o Presidente da FPF.  
Esta foi a medida que entendeu-se acertada para percebermos junto das partes que acertaram o acordo quais tinham sido os termos do mesmo.
 
Da reunião tida a três, em Junho de 2015, confirmamos a existência do acordo verbal.  


Os pagamentos, quando feitos, não eram comunicados pela FPF à FCF. Mensalmente é que a FCF perguntava ao Rui Aguas se tinha recebido o salário.

 
Em Agosto de 2015, já havia de novo salários em atraso. Dado o desconforto que essa situação estava a causar à FCF e a Rui Aguas, voltamos a reunir em Lisboa com a FPF, a convite desta, agora com a presença do seleccionador RA.  


Na impossibilidade de o reduzir a escrito, foi acertado de manutenção do acordo.  


3- Pagamentos da FCF A situação desconfortável dos salários por liquidar ao Rui Aguas (e ao seu assistente Bruno) pela FPF, levou a que a FCF lhe fosse fazendo pagamentos para minimizar a situação de dificuldades económicas e financeiras da sua vida pessoa e familiar.

 
Igualmente ao Rui Aguas (e ao seu assistente Bruno) foram ainda pagos, no dia Junho e Outubro de 2015 a totalidades dos prémios de jogo de qualificação e presença no CAN 2015 da Guine Equatorial. O pagamento dos prémios de jogo foram feitos no intuito de compensar os atrasos no pagamento por parte da FPF.  


Na nossa gestão, entre o mês de Abril e o mês de Outubro de 2015, foram pagos ao Rui Aguas a quantia de 662.000$00 (seiscentos sessenta e dois mil escudos) a título de adiantamento de salários e 4.000.000$00 (quatro milhões de escudos) prémios de jogo (para o Rui e para o Bruno).  


4- Intervenção da Direcção Geral do Desporto - DGD

Agora em finais de Novembro foi tornada pública a questão dos salários em atraso e, pela Comunicação Social, a Sra. Ministra da Educação e do Desporto, em nome do Governo, disponibilizou-se a ajudar a FCF a pagar os atrasados.  


O Director Geral do Desporto, o Sr. Gerson Melo, dirigiu-nos uma nota no dia 27 de Novembro de 2015, manifestando que através das redes sociais teve conhecimento que Rui Aguas tinha salários em atraso e que queriam inteirar-se dos montantes para saber como ajudar.  


A FCF respondeu enviando os valores pagos cronologicamente até aquela data, quer pela FPF e pela FCF, e indicando os salários em divida.  


De referir que o Director Geral do Desporto, o Sr. Gerson Melo, é profundo conhecedor deste dossier, porquanto, simultaneamente, na qualidade de Director da Selecção Nacional, lidou com os desagrados do Rui Aguas e os transmitiu ao anterior Presidente da FCF quando a selecção estava a disputar o CAN2015, sendo que na altura, entre Maio de 2014 a Janeiro de 2015, RA tinha recebido 2,5 meses da FPF e 2 meses da FCF.  


5- Proposta feita ao Governo

Em função da vontade manifestada pelo Governo em ajudar a FCF, de imediato, foi, no dia 01 de Dezembro de 2015, solicitada, por escrito, uma audiência à Sra. Ministra da Educação e do Desporto.


Sem prejuízo disso, a FCF enviou à DGD a seguinte proposta concreta:  


“Aquilo que propomos à DGD, com base na disponibilidade manifestada pela Sra. Ministra publicamente na comunicação social e formalizado por si na carta que nos endereçou, propomos que o Governo comparticipe, de imediato, no pagamento dos atrasados, no valor de 78,000€ (setenta e oito mil euros).


Da parte da FCF já pagamos ao seleccionador e seu assistente a quantia de 52,500€ (cinquenta e dois mil e quinhentos euros), e já não temos mais capacidade para mais.
Para 2016, propomos que o Governo passe a atribuir uma verba de 6,000€ (seis mil euros), mensais, a partir de Jan2016, a ficar celebrado num contrato programa de 2016 a 2018, a título de comparticipação nas remunerações da equipa técnica nacional”.  


6 - Resposta da Direcção Geral do Desporto – DGD  


O Sr. Director Geral do Desporto, na quinta-feira, dia 31 de Dezembro de 2015, ultimo dia do ano, enviou-nos um e-mail às 14h27, comunicando que “Sobre o assunto dos salários da equipa técnica da Selecção estamos a tentar junto do IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude) a resolução do assunto. Até o dia 8 de Janeiro já teremos uma decisão final. Cumprimentos e boas entradas”.  


Já antes, no dia 22 de Dezembro de 2015, quando, por e-mail insistimos em saber da ajuda prometida pelo Governo, o Sr. Director Geral do Desporto tinha respondido que antes do Natal não poderia ser resolvido a questão.  


Na manhã de 1 de Janeiro de 2016 recebemos o e-mail do Rui Aguas a comunicar que deixara o cargo de seleccionador nacional.


Vítor Osório | Presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol | Título da responsabilidade da Redação

 

 

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