CARLOS FORTES LOPES : Cabo Verde precisa de um novo grupo de governantes

. Publicado em Opinião

 

Os discursos de campanha precisam ser polidas, de forma a transmitirem conteúdos claros e sentido de responsabilidade e competência políticas

 

 

Logicamente que as propagandas políticas fazem parte do processo e, qualquer partido que queira singrar nas sua lutas eleitorais terá que fazer valer a sua capacidade propagandista.

Em Cabo Verde, o nível da corrupção já é tão generalizada que o próprio CNN (canal televisivo de notícias internacionais, com sede em Atlanta, EUA) já vem noticiando que Cabo Verde, apesar de alguns ganhos infraestruturais e sociais, os governantes já demonstram indícios claros de corrupção política.

Dados recolhidos por nós, dão-nos conta de que as súbitas riquezas exibidas por alguns políticos do país foram os alvos das investigações e conclusões dos serviços de informação desse canal televisivo de reputação internacional.

O que nos leva a concluir, uma vez mais, de que o Cabo Verde que os nossos governantes andam a tentar vender ao eleitorado não corresponde ao verdadeiro Cabo Verde.

Aliás, os actuais membros do Governo estão a tentar ludibriar a opinião pública com fantasias políticas que poderão vir a distanciar ainda mais o eleitorado nacional. Pois, ela não existe para o pobre que atravessa dificuldades de várias ordens, até ao ponto de haver milhares de famílias cabo verdeanas a passarem fome, por falta de um "ganha pão" e o desleixo programado do partido que sustenta o Governo. A política africana no seu maior.

Enquanto as riquezas florescem no seio dos governantes e suas famílias, milhares são os jovens formados que continuam no desemprego e vivendo situações catastróficas e aliciantes para a prática de actos de prostituição e tráfego de drogas.

Para complementar esta situação as instituições públicas nacionais adotaram um novo sistema de escravatura, com as mulheres cozinheiras das escolas e os guardas de algumas instituições públicas a serem recompensados com um salário muito abaixo do salário estipulado pela lei nacional. Ou seja, salários muito abaixo do salário mínimo de onze mil escudos (11.000$00) mensais.

Enquanto os governantes e PCAs, militantes do partido que sustenta o Governo, vivem do bom e do melhor o povo continua a sofrer, devido ao alto nível da corrupção governamental e política existente neste país que continua a viver de ajudas externas e sem um programa de desenvolvimento concreto e exequível.

Temos milhares de jovens (força produtiva e futuro de qualquer país) relegados á frustração social e, psicologicamente condenados á desgraça social.

A maioria desses jovens abandonados pelo sistema, acaba por se auto destruir no uso e consumo de drogas e bebidas alcoólicas, numa tentativa falhada e destruidora de combater a frustração e o abandono dos que; por força da lei constitucional deviam protegê-los, criando condições para o bem estar de todos (ver o artigo 7 da Constituição da República de Cabo Verde).

A maioria dos jovens já cansou de esperar pela primeira oportunidade de emprego, enquanto assistem a colocações destintas de familiares e militantes dos governantes e o partido que os sustenta politicamente.

Práticas essas que estão contribuindo, em parte, para que muitos desses jovens se enveredam pela prática ilícita e ilegal, envolvendo-se em tráfego e uso de estupefacientes, o que os leva a praticarem actos de roubos, para sustentarem os vícios adquiridos devido ao abandono social, por parte deste Governo.

Muitas empresas recém formadas têm vindo a ser "esfoladas" com impostos e outras exigências fiscais, enquanto se verifica uma sustentação desenfreada de funcionários remunerados com montantes milionários de alguns elementos do governo e militantes do partido que sustenta o Governo.

Na sacrificada sociedade civil, verifica-se que os governantes, deliberadamente deixam as famílias caírem na miséria, causando a degradação de centenas de casas dessas famílias; muitas caindo com a simples queda de chuvas mansas e a serem agora usadas para a compra de consciências eleitorais, com governantes e associações ligadas a esses candidatos a usarem do dinheiro dos contribuintes para enganarem os desprotegidos desta sociedade corrupta e sofredora.

A hipocrisia desses nossos governantes cabo verdeanos demonstra um total desrespeito ao sofrimento da maioria que está ficando cada vez mais pobre, com muitas a ficarem descapitalizadas e desoladas com a recente perda dos seus rebanhos e o poder de sobrevivência.

Alem disso tudo, convém relembrar a todos da situação lastimosa de milhares de jovens que andam à procura de apoios para pagarem as propinas em atraso nas universidades (educação para todos!??), sem poderem matricular e ou adquirir os seus diplomas para prosseguirem os seus estudos.

Todo esse Bla Bla nada tem a ver com os nossos artistas que continuam condicionados pela simpatia dos dirigentes das Câmaras Municipais que lhes possa dar oportunidades de subirem aos palcos dos festivais e ou exporem a sua produção artesanal, assim como a eventual participação em eventos e ou certames internacionais.

Todos esses discursos contradizem a realidade do dia-a-dia dos jovens que continuam destruindo-se socialmente e academicamente por falta de oportunidades profissionais.

Finalmente, essas mensagens de campanha já começaram a atingir a própria consciência dos autarcas que continuam assistindo aos descarados financiamentos das campanhas de certos membros do Governo, com dinheiros das taxas ecológicas e ambientais que deviam ser canalizadas para os órgãos que tutelam os municípios, de onde essas verbas foram arrecadadas.

Aliás, desde 2009, por mero instinto centralizador, temos vindo a assistir a uma desenfreada redução dos parcos recursos das Câmaras Municipais. E já contam cerca de 330 mil contos retiradas do financiamento anual das Câmaras Municipais Nacionais.

Essas lenga lengas desses governantes estão fustigando a consciência de muita boa gente com sensibilidade e consciência associativa, mas que não partilha dos mecanismos do governo do PAICV que, por sua vez procura através do dinheiro quente criar ou fomentar conflitos entre aqueles que estão mais próximos das populações, ou seja, entre as Câmaras Municipais e as Associações Comunitárias, prejudicando a instituição que é gerida por pessoas eleitas pelos habitantes desses respectivos municípios.

 

A Voz do Povo Sofredor

 

Carlos Fortes Lopes/Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

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