ALÌRIO CABRAL GOMES: Depois da derrota, a vitimização

. Publicado em Opinião


Houve quem não aguentou o peso da derrota, por isso foi levado pelas emoções e até desmaiou. Outros aguentaram o sufoco mas não conseguem esconder a sua frustração

 

 

Terminado o período das campanhas e consequente eleição do novo parlamento, era suporto tudo voltar ao normal, até porque no dia 20 tudo ficou concluído com a declaração do vencedor das eleições, Ulisses Correia e Silva, de que não há nem vencidos nem vencedores mas sim Cabo Verde.

Ora, esta mensagem do novo Primeiro-Ministro é um claro sinal de unidade. A Nação inteira deve convergir, doravante, para as muitas soluções que o País espera. Não há tempo a perder, mas sim muito trabalho pela frente.

Entretanto, há perdedores que armam-se agora em vítimas. Vitimizam-se propositadamente para tentar passar uma imagem de estarem a ser perseguidos.

É claro que quem foi às eleições queria triunfar mas há gente que entrou na corrida apenas para “cumprir calendário” como se diz na gíria desportiva. E vai ser assim novamente, nas autárquicas.

Pelo menos em São Nicolau, o paicv dispunha de dados que indicavam a sua derrota em toda a linha. Sabia que o seu cabeça de lista não reunia consensos entre as bases do partido, que contra a mesma pessoa há um conjunto de suspeitas de má gestão e desvios de fundos públicos: que o seu número dois é, igualmente, uma pessoa de honestidade duvidosa, situações que mostravam que não havia condições para triunfar nas urnas. Acrescido a estes factos, uma campanha de difamação contra dirigentes do MpD e sobretudo, autarcas do Tarrafal, uma estratégia que teve efeito contrário.

Enquanto o paicv procura atacar os dirigentes e candidatos do MpD, a nossa candidatura falava das #soluções para a ilha e das diferenças entre uns e outros de modo a instruir os eleitores para a decisão que acabaram por tomar.

Ora, mas mal terminou o pleito, segunda-feira, 21, deveria ser um dia normal, de regresso ao trabalho pois que a campanha terminara três dias antes e no dia anterior tudo ficara resolvido. Mas não! Não, porque há uma tentativa delineada de manchar as pessoas, e logo começou a correr rumores que o “coordenador” do ministério da Educação no Tarrafal já havia recebido ordem de transferência para a Brava e que tinha um mês para entregar a casa que ele habita: que um enfermeiro de Santo Antão a exercer no Tarrafal tinha guia de marcha para a ilha do Maio, que a esposa de um ex- presidente de câmara do Tarrafal, que montou alojamento numa assembleia de voto para fazer boca de urna, fora transferida para a Cidade da Praia, entre tantas outras barbaridades.

É o nível baixo de fazer política numa tentativa de vitimização. Mas caramba, logo na segunda-feira, 21, como poderia Ulisses emitir tais despachos de transferências dos ditos cujos se nem posse tomou ainda e nem nomeou ministros inclusive para as pastas de Educação e Saúde?

Há gente que brinca mesmo com a inteligência das pessoas. Agora vem o discurso da vitimização.

A política é coisa nobre e como tal deve ser feita com elevação. Nem tudo vale. Nem tudo vale mesmo.

Mas há gente que se habituou a andar de boleia, às custas do Estado, e naturalmente, com uma derrota acabam-se as mordomias, só assim se justificam os desmaios num domingo eleitoral. Se não tem estômago não volte ao combate.

 


Alírio Cabral Gomes | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

comments

Comentários (0)

Cancel or

Comentar


Código de segurança
Atualizar