CARLOS FORTES LOPES: O voto em Cabo Verde

. Publicado em Opinião

O voto, ou sufrágio, como é também conhecido, é um dos principais instrumentos utilizados para eleições de representantes políticos ou para tomar decisões políticas, em espaços em que há consulta popular para isso, como nos casos de referendos, etc., etc..

 

 

Em Cabo Verde, como em alguns outros países do mundo, os candidatos que constarem da lista dos partidos concorrentes ás eleições, Legislativas, Autárquicas e Presidenciais são eleitos através do voto da população eleitora, como Deputados á Assembleia Nacional, Presidentes de Câmaras Municipais e seus vereadores e presidentes da República.

Desde a Constituição de 1992 que o sufrágio universal foi instituído para a escolha dos ocupantes desses cargos acima mencionados, ainda continuamos a assistir uma prática anti-democrática na sua implementação global.

Sufrágio universal significa que todo o cidadão recenseado tem direito ao voto, livre de ameaças e ou represálias politicas.

Esta configuração da participação política foi uma vitória no sentido de ampliação dos critérios da democracia representativa no país, já que todos os cidadãos com 18 anos de idade, homens ou mulheres, alfabetizados ou analfabetos, têm direito a escolher seu representante através do voto SECRETO E UNIVERSAl, mas continua uma configuração deficiente e aquem das aspirações nacional.

Decorridos mais de vinte e cinco anos da implementação da democracia em Cabo Verde, a história do voto nem sempre tem sido o mais desejado pela maioria. Muitas são as vezes que se verificou fraudes eleitorais, de diversas formas, incluindo o amedrontamento das populações que na maioria continuam sendo vulneráveis ao poder politico dos corruptos pertencentes ao sistema instalado na Capital e outras representações regionais.

Somos um país relativamente novo no que concerne á independência do colonialismo e á implementação da Democracia e não podemos deixar de dar louvores ao espirito de sacrifício do nosso povo que sempre soube lutar, com determinação, para alcançar um patamar digno e de orgulho internacional, apesar das mazelas criadas pelos politicos incompetentes e arrogantes.

Pois, a maioria dos eleitos, após serem eleitos PELO POVO, PARA TRABALHAR PARA O POVO, passam a trabalhar, em exclusividade, para o partido no qual militam, em desrespeito total ao sistema eleitoral democrático e o eleitor nacional.

Ás vezes até perguntamos se estamos num periodo de Ditadura Moderna, onde se finge de democrata para alcançar outros patamares finaceiros nesta terra que continua vivendo de esmolas dos países amigos dos CABO VERDEANOS e querem ver uma democracia real e não a de fachada que ora temos em Cabo Verde.

Fala-se muito e pratica-se muito pouco na nossa terra. Existe muita publicidade enganosa no nosso país e a restrição à participação livre de boa parte da população na escolha de seus representantes, através do voto, faz com que o sufrágio universal estabelecido na Constituição de 1992 não seja uma realidade plena.

Através do voto, é possível ao eleitor e ao cidadão escolher de entre um leque de opções previamente estabelecido uma pessoa que o representará em algumas das instituições políticas por um período determinado. Essa escolha, na forma ideal, deve ser feita com consciência política e após uma análise das propostas do candidato e de sua viabilidade de aplicação, além do histórico pessoal e político do candidato, mas isto ainda está por acontecer em Cabo Verde.

As urnas continuam sendo alvo de muitas ilegalidades e a compra de conciência uma ipedemia nacional.

Algumas campanhas são feitas para combater a compra de votos, uma prática ainda comum durante as eleições em Cabo Verde, devido á pobreza criada no seio das populações, exclusivamente para esse efeito.

Pois, através da compra do voto, políticos com maior poder econômico conseguem influenciar de forma considerada não ética um maior número de eleitores. A compra de votos é crime em Cabo Verde mas ela continua a ser praticada por ambos os partidos de maior poder financeiro.

Por outro lado, como é óbvio, o financiamento de campanhas, acabam também fazendo com que as classes que têm maior poder econômico coloquem seus representantes no poder, limitando a abrangência da democracia.

Outra característica do voto em Cabo Verde é que ele é obrigatório mas muitos são excluídos, por não possuírem os documentos pessoais na hora da votação, porque esses documentos foram antecipadamente, comprados pelos agentes das campanhas com poder econômico.

Cabo Verde está clamando para que o voto seja facultativo, de forma a que as pessoas que queiram eleger os seus representantes o façam com liberdade total.

Estamos convictos de que essa falcultatividade diminuirá os casos de corrupção nas eleições, além de ampliar a possibilidade de escolha dos cidadãos, já que poderiam começar escolhendo se querem votar ou não, como poderá ser o caso de muitas populações, incluindo a sofredora população da Chã das Caldeiras, no Fogo.

Há ainda posicionamentos de crítica mais profunda às eleições, principalmente as decorrentes das campanhas do voto nulo. A prática de anular o voto visa expôr um descontentamento com todo o sistema da democracia representativa ou, em alguns casos, a insatisfação com os candidatos que são apresentados e que não correspondem aos desejos e aspirações dos eleitores.

Em muitos casos, a crítica à representatividade indica uma limitação dessa forma de organização, que exclui da participação política direta a maior parte dos cidadãos, afastando-os desse tipo de prática, limitando-os a votar apenas em candidatos previamente escolhidos pelos partidos politicos, o que contribui para que nos intervalos das eleições, os cidadãos fiquem afastados das decisões políticas.

Meus caros "politicos de meia tigela" os vossos posicionamentos nos debates na Assembleia e em outros forums têm demonstrado o vosso desconhecimento da democracia participativa e em alguns casos, a arrogância pessoal e o previlégio "constitucional" de poder esconder atrás da imunidade politica.

Cabo Verde carece de uma nova vaga de politicos, sem influências corruptas dos países de língua oficial portuguesa.

Precisamos de pessoas capazes de criar leis, sem ter que copia-las noutros países, para que sejam leis aplicáveis na realidade cabo verdeana.

O grupo de "politicos" que temos atualmente só funciona com base nos documentos que recolhem de outros partidos no país mais próximo de Cabo Verde.

 

A Voz do Povo Sofredor


Carlos Fortes Lopes/ Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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