CARLOS FORTES LOPES: A regionalização das ilhas de Cabo Verde

. Publicado em Opinião


Senhores Deputados e Executivo Governamental, se regionalizarmos as ilhas de Cabo Verde estaremos a auto classificar as nossas queridas ilhas e atribuir ao povo eleitor o seu direito constitucional de fazer parte da governação do país

 

 

Ou seja; regionalizar Cabo Verde será o mesmo que criar condições para o desenvolvimento regional de cada ilha numa área do espaço geográfico do país e ou do meio natural, conforme um critério previamente estabelecido com as populações das respectivas ilhas. Essa forma de conceber o espaço em que vivemos será útil para melhor compreendermos algumas das nossas particularidades e a reprodução de fenômenos em ilhas e localidades diferentes.

Critérios a ser utilizados terão que ser o social e financeiro, como aconteceu em várias regionalizações em vários países deste mundo moderno.

Para que a Regionalização seja compacta, ela terá que ter como base os padrões atuais de qualidade de vida e consistência econômica entre as ilhas e as suas respectivas populações.

A regionalização de Cabo Verde terá ainda que obedecer as fronteiras regionais, ou seja, não poderá ser qualificada apenas baseada nas diferenças socioespaciais e no âmbito econômico das áreas pertencentes á capital do país que pelos vistos foi regionalizada e desenvolvida na base do centralismo/regionalismo doentio.

O nosso processo de regionalização terá também que ser adaptado às transformações políticas e sociais nacional.

Não podemos continuar com esta mentalidade centrista e arrogante de considerar as ilhas de simples peças do "puzzle", sem significado politico, econômico e ou financeiro.

Há que abolir a bipolaridade existente e deixar de considerar uma ilha de ilha principal e as restantes de ilhas com economias planificadas, ou seja, sob o total controlo da elite centralista.

As outras ilhas periféricas que continuam subdesenvolvidas, embora todas sejam inseridas anualmente, no sistema nacional dos Orçamentos Geral do Estado de Cabo Verde, não podem continuar abandonadas e para evitar essa desgraça já existente, teremos que regionalizar as ilhas e, atribuir a cada região a sua respectiva responsabilidade politico-econômico e social de desenvolver-se de acordo com os padrões nacionais emitidos pelo Governo Central.

Pois, o consequente declínio das restantes regiões do país que continuam fora da jurisdição direta da Capital está à vista desarmada de todos e temos que atuar enquanto é tempo de salvaguardarmos a soberania nacional que já se encontra numa fase de instabilidade.

Além disso tudo, alguns critérios da regionalização do nosso arquipélago precisam ser adicionados, levando a questão para o âmbito puramente econômico e social, abandonando por completo o extrato político da questão, de forma a sermos capazes de alcançar um consenso nacional.

Nesta base, a regionalização das ilhas de Cabo Verde terá que ser operada da seguinte forma: as ilhas do país terão que ser agrupadas, de acordo com as potencialidades econômicas de cada um de forma a alcançarmos patamares de desenvolvimento que aproximem do desenvolvimento já em destaque na Capital do país, com um intercâmbio constante e amigo entre todas as ilhas e populações de forma a que qualquer habitante de qualquer ilha se sinta cabo-verdiano, seja ele originário ou residente na ilha que acolhe a capital do nosso país.

Teremos que regionalizar as ilhas a norte e sul do arquipélago de acordo com os respectivos factores das suas existentes e potenciais economias.

A regionalização norte a sul do arquipêlago não poderá ignorar as realidades de cada região e terá que ser bem analizada e bem concebida, observando os prós e os contras da realidade atual.

É importante considerar que, entre as ilhas ou grupos de ilhas existem certas pluralidades envolvendo ilhas emergentes de economias com potencialidades de industrialização da agro-pecuária e do turismo de montanha "trekking" e outras com potencialidades exclusivas do turismo de praia e sol, sem esquecermos das potencialidades do turismo aquático com enfase no submarino e o de pesca de laser. Essas potencialidades turísticas bem coordenadas e implementadas poderão muito bem complementar um ao outro, fazendo com que o nosso arquipélago passe a ser um país unido e robusto económicamente e socialmente.

 

A Voz do Povo Sofredor

 

Carlos Fortes Lopes/ Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

 

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