EMANUEL BARBOSA: Qual a tua, José?

. Publicado em Opinião

Permite-me aconselhar-te, José: tira umas férias e deixa de pensar e falar de política. Não polua o nosso ambiente político com os teus pronunciamentos tóxicos. Vê se te regeneras porque queremos-te forte em 2021. Precisas de passar por um processo de reciclagem comunicacional

 



Tu, José, já na ponta final da campanha, não sei a que despropósito, resolves aparecer e passas a ser bastante interventivo e parece que não te tencionas eclipsar para que possamos esquecer-nos de ti por uns tempos, bem como das agruras da tua governação.


Creio que estás preocupado desde já com 2021. Mas, assim, não vais aguentar. Estás acelerado José!


Quero crer que a tua grande preocupação é fazer com que o teu partido, ora nas lonas, possa reerguer-se o quanto antes para que te possa oferecer um forte suporte para a tua indisfarçável ambição de ser Presidente da República nas eleições de 2021.


Contudo, à semelhança do teu partido, tens revelado desorientação. Será alguma epidemia amarela?


Ao invés de te recatares, tens dado muito nas vistas, cometendo erros em cima de erros.


Tomaste parte no comício da Cristina Fontes e não conseguiste contagiar a fraca plateia presente. A tua presença não serviu para ajudar a tua amiga do peito, servindo apenas para mostrar que já não és o que eras. É que ainda não percebeste que já não és o José do poder com prebendas para distribuir, mas sim o simples José de Santa Catarina, o rapaz astuto de Pedra Barro, mais velho e com menos energia.


Produziste um vídeo apelando à não colocação dos ovos nos mesmos cestos e o povo fez-te ouvidos de mercador e, como tu mesmo reconheceste num post na tua página do Facebook, “maioritariamente, decide colocar os ovos no mesmo cesto”. Viste, José, que o povo já não te liga nenhuma? Porque não te calas? Aguenta-te homem de Deus! Para quê falar muito para pouco ou nada dizer? Estamos fartos das tuas contradições!


Neste mesmo post tens o descaramento de afirmar que “a democracia sem uma oposição forte, não floresce”. Estranha-me tamanha incoerência tua. Basta avaliares a discrepância entre o que praticaste quando foste primeiro-ministro e o que profecias agora no plano teórico. Pois, não és o mesmo senhor que durante quinze anos com a tua arrogância e prepotência, à mistura com o teu narcisismo, achavas-te acima de tudo e de todos e tentaste sufocar a oposição, desprezando-a e tudo fazendo para a anular?! Diz-nos, José, se assim não foi. Estamos equivocados ou és tu que estás a ficar lé lé do juízo e já não te lembras como trataste a oposição? Ainda és relativamente novo para padeceres de amnésia. Ou será a memória selectiva a funcionar?


Dizes, fazendo referência ao MpD, que “depois destas eleições, uma força política acaba por dominar todos os espaços estatais e municipais, constituindo-se num partido hegemónico.”

Alguém que te esclareça que a hegemonia de que falas foi conquistada de forma natural pela relação de confiança que o MpD conseguiu estabelecer com os eleitores, num quadro democrático, pela via de eleições livres e transparentes. No entanto, quando foste primeiro-ministro e líder do teu partido tentaste responder à cultura hegemónica do paicv pela via de truques administrativos, compra de consciências, utilização indevida do erário para fins poucos claros, perpetuação das pessoas na pobreza, partidarização da administração pública, etc., etc.


Terminas o primeiro ponto da tua publicação apelando a “serenidade e muita responsabilidade”, duas qualidades que nunca demonstraste possuir na tua pessoa e nos governos que lideraste. Mas bem que hoje precisas destes atributos a ver se te acalmas. Faziam-te um bem enorme, José.


Permite-me aconselhar-te, José: tira umas férias e deixa de pensar e falar de política. Não polua o nosso ambiente político com os teus pronunciamentos tóxicos. Vê se te regeneras porque queremos-te forte em 2021. Precisas de passar por um processo de reciclagem comunicacional.


Regenera-te e revigora-te a todos os níveis, pois em 2021 não queremos que fujas como fizeste agora e queremos-te derrotar no apogeu das tuas forças para que não hajam desculpas de mau perdedor.


José, relaxa e descansa, contem o verbo tanto à frente das câmaras de televisão e dos microfones, como, também, nas redes sociais.


Não te precipites José, não te aflijas. A vida é curta, mas tens todo o tempo do mundo para mostrares o que ainda vales. Por isso, não vale a pena viveres em stress e não te apoquentes que o que a ti está destinado hás-de receber na hora marcada.


Peace and love José.


Emanuel Barbosa | Deputado da Nação

 

 

 

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