Pedro Centeio: PAICV: Um partido à beira do declínio

. Publicado em Opinião

A Crise é, por estes dias, palavra muito gasta para os lados do Partido Africano da independência  de Cabo Verde (PAICV). De derrota em derrota e aguardando mais uma, desta feita por falta de comparência, as presidenciais, resta saber o que vai mudar no partido que parece ter caído num poço, por sinal sem fundo. Com uma liderança necessariamente a prazo o PAICV avança perigosamente para uma profunda crise que, a tempo, pode se traduzir num declínio insustentável se este formulário não for renovado em profundidade

 

 

Ainda mal digerido o estrepitoso falhanço nas legislativas em março de 2016, o partido preparou-se mal e esteve manifestamente diminuído na escolha dos candidatos para as eleições autárquicas de setembro. Aparentemente, sem uma estratégia definida para ganhar as eleições, ou no mínimo melhorar o score das últimas autárquicas, apresentou-se coxo e manifestamente dividido. Com uma total ausência de sentido de orientação, o partido mostrou-se incapaz de oferecer uma visão credível do futuro suficientemente mobilizador para convencer os eleitores que o PAICV seria o partido capaz de construir um Cabo Verde melhor.

Para ajudar à festa, a presidente do partido Janira Hopffer Almada (JHA) conseguiu encontrar folga na sua agenda para uma visita ao exterior de 3 dias, de 18 a 20 de agosto, levando uma comitiva onde se encontrava tão-somente o primeiro vice-presidente do partido Manuel Inocêncio Sousa. Isto foi de um sentido de oportunidade único porquanto que, coincidindo a viagem com a abertura da campanha para as autárquicas, a participação no VII congresso do MPLA seria mais importantes que escudar as candidaturas neste pleito. Uma má decisão, num mau momento, que custou muitos votos ao partido.


O PAICV teve das piores derrotas de sempre, conseguindo vencer apenas duas câmaras num total de vinte e duas.

Depois desta hecatombe, e ainda na noite eleitoral de 4 de setembro, a líder do partido JHA tem um discurso onde "não bate a bota com a perdigota" ou seja:
Reconhece que os resultados conseguidos ficaram muito aquém das metas que o PAICV se propôs.


Era chegado o momento de tirar ilações políticas.


Assume a responsabilidade pelos resultados. Até ai, totalmente de acordo.


Mas tão-somente coloca o cargo à disposição dos militantes?


Esta meia atitude, de não tomar uma decisão mais óbvia e acertada, defraudou as expetativas de muita gente. Noutras paragens onde se faz política a sério, após derrotas eleitorais desta amplitude e quando as lideranças num tom grave chamam a comunicação social para dizer que "tiram ilações políticas", é porque alguma consequência de monta se pode esperar. Cabo Verde esta obviamente fora deste circulo.

 


Uma demissão era esperada

Ainda que na noite de 4 de setembro, com apenas 1 hora após o conhecimento dos resultados eleitorais, se entende que a presidente do partido não teve tempo para tão "profunda reflexão”, não se pode no entanto admitir que a mesma foi tomada de ânimo leve e de forma superficial. Ser líder é mais do que jogar palavras vazias ao vento esperando que o partido seja uma caixa de ressonância. Um verdadeiro líder procede em coerência senão as palavras deixam de ter valor quando proferidas e os cabo-verdianos, cada vez mais esclarecidos, podem descortinar que o verdadeiro objetivo se centra apenas e só na manutenção do poder.

Da crise à oportunidade. Toda crise acrisola e deve ser aproveitada para aperfeiçoar. Este pode ser o momento de inflexão para o PAICV, onde a conjuntura é difícil emergem por vezes soluções para ajudar o partido a amadurecer democraticamente e a retomar o curso de crescimento. A democracia cabo-verdiana precisa de um PAICV forte e com ambições renovadas.

 

Pedro Centeio/Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

 

 

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